Algodão: retaliação aos EUA será maior em 2010, diz associação

Brasil vai retaliar com US$ 829 mi neste ano, mas em 2010 quantia deve subir, preveem produtores

Gerson Freiras Jr, da Agência Estado,

21 de dezembro de 2009 | 17h35

O presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Haroldo Cunha, disse que o cálculo final da retaliação aos Estados Unidos no caso envolvendo os subsídios ao algodão ficou dentro do esperado. O Brasil informou hoje à Organização Mundial do Comércio (OMC) que vai retaliar os americanos em US$ 829,3 milhões com impostos sobre a importação de produtos e sobre a remessa de royalties de patentes e marcas.

 

O valor foi calculado com base nos subsídios concedidos em 2008 e, segundo Cunha, deverá crescer quando a referência for 2009. "A retaliação com base neste ano seria certamente maior, mas os dados ainda não estão consolidados. Como o Brasil não queria protelar mais a questão, optou por usar 2008 como referência", explicou.

O valor que o Brasil terá direito de retaliar os Estados Unidos é dividido em duas partes. Do total, cerca de US$ 682 milhões são referentes a créditos de exportação proibidos e que, segundo os produtores brasileiros, distorcem o comércio global. Esse montante será ajustado anualmente, conforme variarem os subsídios, até que os americanos cumpram a determinação da OMC de retirar a ajuda. A OMC também estabeleceu uma punição fixa anual de US$ 147 milhões, referentes a subsídios internos à produção.

O próximo passo do governo brasileiro é definir a lista de produtos e serviços dos Estados Unidos que serão alvos da sanção. Cunha nega que haja um atraso excessivo no processo. "O governo está querendo fazer as coisas de maneira muito transparente. É normal que haja um atraso", afirmou.

 

O presidente da Abrapa disse que o setor pediu à Câmara de Comércio Exterior (Camex) que fosse sobretaxada a importação de algodão e produtos têxteis dos Estados Unidos, mas que a decisão é do governo. "Para nós, o importante mesmo seria mudar a política de subsídios nos Estados Unidos. Mas isso não está ao nosso alcance", lamentou.

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