Alguns bancos mantêm linhas, outros aumentarão, diz Fraga

O presidente do Banco Central, Armínio Fraga, disse hoje, em entrevista na sede do banco ABN Amro, na capital da Holanda, que "as linhas de crédito para o País, que vinham declinando há mais de um ano, se estabilizaram nas duas últimas semanas". Fraga acrescentou ainda que na série de contatos que manteve com banqueiros europeus obteve uma sinalização que considera positiva. "Alguns bancos me disseram que estão estabilizando as linhas, outros que vão ampliá-las com o passar do tempo e há ainda aqueles que afirmam que estão analisando a situação", disse. O presidente do BC, disse que considera conservadora a atual estimativa de US$ 7 bihões para o superávit da balança. "Não vou fazer cálculos aqui, mas com certeza o superávit comercial está aumentando", afirma. Fraga disse ainda que o crescimetno do superávit comercial é "sustentável e deverá continuar nos próximos anos". Ele justificou a análise com base numa série de fatores, como por exemplo, a maior competitividade do setor exportador brasileiro, o efeito do câmbio e as perspectivas de que a economia mundial venha a melhorar.Brasil resistiria mesmo com estagnação prolongada nos EUAO presidente do Banco Central afirmou que o Brasil tem condições de superar as dificuldades mesmo que a desaceleração da economia norte-americana seja prolongada. Durante palestra para investidores, Fraga foi questionado sobre qual seria o impacto na economia brasileira de uma situação de aversão ao risco continuada nos mercados externos. Ele admitiu que haveria um impacto, mas garantiu que o País tem plenas condições de superá-lo.O presidente do BC afirmou que, em sua visão, um ano de cenário negativo na economia dos EUA poderia ter um impacto negativo de dois pontos percentuais no crescimento do PIB brasileiro. Além disso, o impacto na relação dívida/PIB seria de 0,5 ponto, um efeito "muito pequeno", segundo Fraga. O presidente do BC observou, porém, que se o desaquecimento norte-americano se prolongasse por dois ou três anos o Brasil poderia ter que promover um novo ajuste fiscal, com elevação da meta de superávit primário. Ele ponderou, contudo, que não seria a primeira vez que o Brasil teria de aumentar estas metas diante de uma situação adversa. Após a palestra, questionado por jornalistas sobre estes números, Fraga disse que fez apenas um exercício para mostar que o Brasil tem condições de superar condições de dificuldade no plano externo.Resposta "padrão" em caso de alta do petróleoArmínio Fraga disse que o Banco Central adotaria uma resposta "padrão", ao ser questionado sobre a posssibilidade de um conflito no Oriente Médio provocar uma nova alta do petróleo. Fraga ponderou que o impacto do petróleo na inflação é hoje muito menor, pois o País aumentou a sua produção substancialmente nos últimos anos. "O impacto na inflação seria um choque de oferta, o que nunca é agradável", disse Fraga. "A nossa resposta de política seria aquela que é padrão entre os Bancos Centrais, ou seja, nós permitimos o impacto direto (do petróleo na inflação), mas não permitimos que as repercussões secundárias ocorram. Seria melhor se fosse o oposto, mas vamos ver o que acontece", afirmou o presidente do BC. Ele também observou que os preços atuais do petróleo já estão precificando boa parte do risco de um conflito militar e acrescentou que a situação no Oriente Médio poderá ser resolvida, levando à queda da cotação do produto.Convite de Serra para ficar no BCArmínio Fraga confirmou que foi convidado pelo candidato José Serra, do PSDB, a permanecer no BC caso o peessedebista seja eleito, e que aceitou o convite. "Eu fui convidado há alguns meses pelo Serra e aceitei", afirmou Fraga, quando questionado se continuaria no cargo no próximo governo. Fraga, que retorna nesta noite ao Brasil, acrescentou que só recebeu este convite, até o momento, de Serra. "Mas, como já disse, estou aberto aos outros candidatos desde que eles reepeitem os três fatores básicos", afirmou o presidente do BC. Os fatores citados por Fraga como compromissos básicos para a economia são a política monetária, a política fiscal e o respeito aos contratos. Ele observou, porém, que todos os candidatos estão comprometidos com estes fatores. Depois da entrevista, Fraga se reuniu com autoridades monetárias holandesas na sede do BC da Holanda.

Agencia Estado,

11 de setembro de 2002 | 12h49

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