André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Aliados ameaçam deixar a base caso o governo apoie reajuste do STF

Declaração do presidente do Senado, Renan Calheiros, de que aumento dos magistrados será votado no dia 8 de setembro, provocou embate entre peemedebistas e tucanos, contrários à medida

Beatriz Bula, Carla Araújo, Igor Gadelha, Júlia Lindner, Ricardo Brito, Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

24 de agosto de 2016 | 22h30

BRASÍLIA - Às vésperas do início da votação do processo de impeachment de Dilma Rousseff, Brasília viveu nesta quarta-feira, 24, mais um dia de embate entre tucanos e peemedebistas. O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) ameaçou a saída do partido da base governista caso o presidente em exercício Michel Temer não defina sua posição sobre os aumentos ao funcionalismo público. 

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), anunciou que o projeto que reajusta os salários dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) será votado no plenário da Casa no dia 8 de setembro. Jereissati reagiu à declaração dizendo que “o governo e o seu partido, que é o PMDB, precisam assumir sua posição: se é governo ou se quer fazer graça para alguns”.

O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) foi na mesma direção: “Estou fora se continuar assim. Não vou compactuar com uma farsa dessa. Ou o governo tem coragem de assumir e dizer o que quer, ou estou fora”. 

Sem citar o PSDB, Renan afirmou que não vai compartilhar “o entendimento de que o problema fiscal do Brasil é em função do reajuste do Poder Judiciário”. “Isso é uma pequenez que restringe a discussão.” O senador também negou rumores de que o interesse dos senadores em aprovar o reajuste para ministros do STF era agradar os magistrados, responsáveis por conduzir investigações contra parlamentares. 

Segundo interlocutores do peemedebista, o ministro Ricardo Lewandowski, do STF, indicou ao presidente do Senado o desejo de ver aprovado o projeto de reajuste salarial dos ministros da Corte antes de deixar a presidência do tribunal, no dia 12 de setembro. 

Renan negou a informação e desconsiderou a crise entre governo e PSDB – contrário à concessão do reajuste, que aumenta o teto do funcionalismo público e afeta as folhas de pessoal de Estados e municípios. Parte do PMDB tentou liderar uma articulação nos últimos dias para acelerar a votação da proposta. “Está começando a parecer que o PMDB não está no governo”, disse Jereissati. “Porque o governo dá uma sinalização para a gente, e outra para fora.” 

O ministro da Secretaria de Governo, Geddel Vieira Lima, minimizou as declarações. “O governo não está apoiando. Você já viu alguma declaração minha de apoio?”, disse, no Palácio do Planalto, quando se dirigia para a sala de Temer. Segundo Geddel, essa foi uma posição defendida por alguns membros do partido. “É o PMDB”, comentou, justificando o relatório paralelo apresentado pelo senador Valdir Raupp (PMDB-RO) na terça-feira a favor do reajuste. 

Ao chegar ao seu gabinete, Renan disse que “não há crise (entre PSDB e PMDB), o que há são pontos de vistas diferentes”. O presidente do PSDB, senador Aécio Neves (MG), também tentou amenizar a situação. “Não se fala em rompimento”, disse.

STF. Em visita ao Senado, o ministro do STF Gilmar Mendes defendeu a proposta que eleva o vencimento dos ministros do STF de R$ 33,7 mil para R$ 39,2 mil. Renan Calheiros reforçou que a iniciativa terá uma repercussão pequena para o governo, de menos de R$ 200 milhões este ano. 

De acordo com cálculos do Ministério do Planejamento, o impacto dos dois projetos será de R$ 13,5 bilhões até 2018.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.