Aliança para governar a Grécia será definida hoje

Divisão dos ministérios entre os partidos ainda é o principal entrave à coalizão, que reúne a Nova Democracia, o Pasok e a Esquerda Democrática

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2012 | 03h05

A Grécia ainda não fez a sua parte para ajudar a dissipar um pouco mais as dúvidas que pairam sobre a capacidade do país de retomar a estabilidade política e econômica. Ontem, o vencedor das eleições parlamentares, Antonis Samaras, teve de adiar por mais um dia a formação de um governo de coalizão liderado pelo Nova Democracia, partido de direita conservadora.

A aliança, que tende a reunir o Partido Socialista (Pasok) e a Esquerda Democrática (Dimas), deve ser formalizada hoje, reunindo uma maioria de 179 deputados, 28 acima do necessário.

Ontem, Atenas testemunhou mais um dia de barganhas entre líderes políticos. O principal entrave à homologação da aliança de "salvação nacional" é a divisão dos ministérios pelos partidos. Apesar da disputa, dois deles ainda não têm pretendentes: os Ministérios da Economia e do Trabalho.

No início da noite, o líder do Pasok, Evangelos Venizelos, prometeu que a Grécia terá um governo formado até o meio-dia de hoje, sob a direção de Samaras. "Deve ser formado o mais cedo possível", disse o socialista.

Fotis Kouvelis, líder do Dimas, preferiu não fixar data, mas garantiu a formação da aliança. "Haverá um governo. Eu creio que teremos um acordo antes do fim da semana." Segundo Kouvalis, problemas no plano de governo conjunto e nos pontos a serem renegociados com a União Europeia eram os entraves.

Certo de que a coalizão vai sair do papel, o futuro primeiro-ministro já faz planos sobre a eventual renegociação de cláusulas do segundo programa de resgate da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI). "Nós deveremos proceder as emendas necessárias ao acordo de resgate, a fim de aliviar a população diante de um desemprego persistente e dos enormes sacrifícios que lhe foram solicitados", disse Samaras.

Seus aliados endossaram o discurso. "É necessário formar uma equipe de negociadores para trabalhar na revisão dos termos mais rigorosos do acordo de financiamento", reiterou Venizelos, com o apoio de Kouvelis.

Ontem, o porta-voz da Comissão Europeia, Amadeu Altafaj, não descartou renegociações, mas disse que os pontos essenciais do tratado não serão alterados. E um terceiro plano de socorro está descartado. O maior obstáculo será, mais uma vez, a chanceler da Alemanha, Angela Merkel. Ontem, ela voltou a afirmar, no México, que Atenas terá de cumprir seus compromissos.

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