Alibaba agora enfrenta a crise chinesa

Um ano após realizar um dos maiores IPOs da história, companhia chinesa de comércio eletrônico é alvo de ceticismo do mercado

Paul Mozur , THE NEW YORK TIMES

13 de agosto de 2015 | 02h02

Há um ano, executivos da companhia chinesa de comércio eletrônico Alibaba preparavam uma apresentação para investidores para abrir caminho para uma das maiores ofertas públicas iniciais (na sigla em inglês, IPO) da história. Entretanto, a situação da companhia mudou drasticamente desde então.

Hoje, o Alibaba enfrenta a crise econômica na China. Seu novo diretor executivo, Daniel Zhang, está à procura de soluções para promover o crescimento da empresa, como cortejar marcas internacionais que ele acredita que vendam bem para os consumidores chineses de classe média.

Ao mesmo tempo, o Alibaba procura tornar seus serviços mais acessíveis aos habitantes das áreas rurais que não podem contar com um bom atendimento em termos de comércio físico, e que provavelmente se tornarão as futuras centenas de milhões de usuários de internet.

Os investidores, que se entusiasmaram com a promessa de crescimento do Alibaba, também se mostram céticos - e menos dispostos a perdoar novos tropeços. Antes de quarta-feira, as ações do Alibaba tinham caído cerca de 35% em relação à alta de novembro de 2014, e estavam apenas 14% acima do preço de US$ 68 do IPO.

A precária posição da empresa em comparação há um ano foi enfatizada nesta quarta-feira, 12, quando a companhia revelou seus ganhos mais recentes. Embora o faturamento tenha crescido 28% e atingido US$ 3,27 bilhões, ficou aquém do que os investidores haviam antecipado. Consequentemente, as ações da companhia despencaram mais de 6%.

Confiança. O fundador do Alibaba, Jack Ma, disse que agora está mais preocupado com os movimentos das ações a longo prazo. Mas, na tentativa de segurar o preço das ações, a companhia anunciou que autorizará um programa de recompra de papéis no valor de us$ 4 bilhões ao longo de dois anos. A medida visa contribuir para compensar a diluição das ações destinadas à remuneração dos funcionários vinculada aos seus papéis.

Numa atitude destinada a assinalar confiança na companhia, o vice-presidente do conselho da empresa, Joseph Tsai, disse que nem ele nem Ma pretendem vender ações da companhia. "Jack e eu não temos a menor intenção de vender senão uma quantidade limitada que se encontra em nossos fundos beneficentes", disse Tsai.

Segundo ele, as ações do Alibaba que pertencem ao Yahoo e à SoftBank, que investiram na companhia anos atrás, quando o seu capital era fechado, serão "desvinculadas" no mês que vem. O Yahoo anunciou sua intenção de desmembrar suas ações do Alibaba, e desde então estas ações perderam US$ 11 bilhões em valor.

As mudanças ocorridas no Alibaba mostram as oscilações do ciclo ao qual as companhias de tecnologia estão submetidas. Quando os executivos do Alibaba ofereceram a companhia a investidores no ano passado, afirmaram que o seu sucesso futuro dependia de três motores de crescimento: o aumento do número de usuários chineses da internet, o boom das compras online e da economia chinesa em rápida expansão.

Entretanto, o Alibaba veio enfrentando uma série de revezes em todas as frentes. O negócio principal do Alibaba continua registrando grande vigor, disseram os analistas, e há sinais de que um crescimento mais forte virá pela frente.

Móvel. Nesta quarta-feira, 12, a empresa destacou também sinais de que está incrementando sua capacidade de ganhar dinheiro com os smartphones. O Alibaba disse que a receita auferida das vendas de celulares no seu mercado online foi de US$ 1,3 bilhão, representando 51% de sua receita no varejo no trimestre. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

 

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