Aly Song/Reuters
Aly Song/Reuters

Alibaba quer redimir piratas chineses

Gigante do comércio eletrônico chinês tem conduzido discretamente um programa para limitar produtos piratas na fonte

O Estado de S.Paulo

26 Maio 2015 | 02h04

Criticada e processada por marcas de luxo, como a italiana Gucci, por facilitar o comércio de bens falsificados, a gigante do comércio eletrônico chinês Alibaba tem conduzido discretamente um programa para limitar produtos piratas na fonte.

Na cidade litorânea de Putian, na província de Fujian, o Alibaba está trabalhando com 17 fabricantes de sapatos para cultivar marcas locais online, revitalizar a indústria e oferecer a possíveis falsificadores uma fonte alternativa.

Críticos dizem que o programa é equivocado e que o Alibaba deveria, em vez disso, focar em eliminar de suas plataformas online as populares listagens de produtos falsificados.

Mas o plano "Made in China" responde ao que defensores dizem ser uma das razões pelas quais tem havido apenas progresso limitado na batalha contra bens falsificados na China: a falta de alternativas atraentes para os que fabricam e comercializam bens que infringem direitos de propriedade.

"Você pode reprimir para sempre e nunca ver o fim disso", disse Song Zonghu, que já vendeu tênis falsos e agora dirige a Shuangwei Sporting Goods, uma das empresas que integra o programa do Alibaba. "Criar novas oportunidades enquanto se coíbe a prática é o caminho a seguir. Todo mundo tem que se alimentar".

Ni Liang, diretor sênior de segurança na internet do Alibaba, disse que o plano é uma importante iniciativa contra falsificações neste ano. O grupo pretende expandi-lo para eletrônicos domésticos, brinquedos, bolsas e outros segmentos, esperando que, ao construir marcas locais, pequenos produtores se distanciarão das cópias e passarão a servir um setor legítimo.

Putian é o epicentro da indústria de tênis falsificados de alta qualidade da China, um negócio derivado da indústria calçadista legítima que emprega um décimo dos 3 milhões de habitantes da cidade. Cópias de Nike, Adiadas, New Balance e outros tênis de marca fabricados na cidade são muito difíceis de ser distinguidos dos produtos originais, mas são vendidos a uma fração do preço.

O Alibaba treinou fabricantes de calçados nos negócios online, ajudou em controle de qualidade e marketing e realizou promoções de vendas. Em uma campanha de três dias, as marcas de calçados venderam mais de 4 milhões de pares - ou dois a cada três segundos - no valor de US$ 77,5 milhões, segundo a porta-voz do Alibaba, Crystal Liu. / REUTERS

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