Alimentação e câmbio forçam Fipe a rever inflação

A revisão da projeção de inflação para o mês de outubro na cidade de São Paulo de 0,80% para 1,10%, segundo o coordenador do IPC-Fipe, Heron do Carmo, foi mais uma vez resultante do forte impacto do repasse da desvalorização do dólar para os preços ao consumidor, sobretudo sobre os alimentos. O repasse do dólar para os preços no varejo na terceira quadrissemana de outubro se deu, como já vem sendo observado, de forma generalizada, mas o maior impacto foi percebido na cesta de alimentos do IPC-Fipe. O grupo Alimentação, o segundo maior em importância dentro índice, fechou o período em análise com uma alta de 1,88%, com uma variação de 0,59 ponto porcentual acima da variação registrada na segunda quadrissemana, de 1,29%. Os alimentos que mais subiram foram arroz (8,40%) e frango (7,12%). Os dois produtos, ainda que em sentidos opostos, refletem a pressão mais vigorosa do câmbio sobre os alimentos. O frango sofre a pressão do dólar por ser um produto bastante ativo na pauta de exportações brasileira. Já o arroz, reflete a pressão contrária, uma vez que a produção nacional não é suficiente e a demanda interna, para ser atendida, depende da importação do cereal. Apesar de o grupo Alimentação ter sido o que mais sentiu a pressão do câmbio, o repasse da alta do dólar atingiu de forma generalizada todos os demais grupos do IPC, que variaram acima das taxas registradas na quadrissemana anterior.A exceção foi o grupo Habitação, cuja variação caiu de 0,72% para 0,62%. Este grupo, por concentrar a maior parte das tarifas públicas, cujos os reajustes carregam a variação do câmbio acumulada nos últimos doze meses, não está refletindo, ainda, a desvalorização corrente do dólar. O grupo Despesas Pessoais, que contém uma gama significativa de produtos que dependem de matérias-primas importadas, teve sua taxa de variação elevada de 1,03% para 1,24%. O grupo Transportes, por conta do aumento do álcool combustível (10,9%), subiu de 1,12% na quadrissemana anterior para 1,26%. O álcool, apesar de ser produzido no Brasil, acaba acompanhando o preço da gasolina, que é cotado em dólar. O grupo Vestuário teve sua variação elevada de 0,44% para 0,85%. Os grupos Educação e Saúde subiram de 0,10% e 0,44% para 0,20% e 0,46%, respectivamente. De acordo com a última pesquisa de preços da Fipe, a taxa geral de inflação na terceira quadrissemana de outubro subiu 1,07%, com uma variação de 0,18 ponto sobre a inflação registrada na segunda quadrissemana, de 0,89%.Mantida previsão de 5,5% para inflação ao consumidor em 2002Apesar de ter elevado a taxa de inflação medida pelo IPC-Fipe na cidade de São Paulo em outubro para 1,10%, Heron do Carmo, manteve, por enquanto, a previsão para a taxa anual em 5,5%. Segundo ele, a alta na terceira quadrissemana (1,07%) foi provocada pela desvalorização do câmbio, que já tem dado mostras de que deverá recuar depois de retiradas as pressões pertinentes às eleições. Além disso, afirma Heron, o preço do petróleo no exterior já está recuando, o que deverá diminuir a taxa de repasse para o preço da gasolina. No mercado, os analistas falavam de reajustes que podiam remontar uma variação de até 30%.

Agencia Estado,

28 de outubro de 2002 | 12h56

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