Alimento deve segurar inflação, diz Fipe

Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas avalia, no entanto, que as altas recentes de commodities agrícolas no exterior devem impactar no bolso do consumidor entre o final deste ano e em 2011

Gustavo Porto, da Agência Estado,

19 de agosto de 2010 | 12h20

Ao contrário de anos anteriores, os alimentos serão os "mocinhos" do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), na avaliação do pesquisador da entidade André Chagas. Mas as altas recentes de commodities agrícolas no mercado internacional devem impactar no bolso do consumidor entre o final deste ano e em 2011.

"Por causa da redução de demanda de países riscos, os alimentos vão segurar a inflação e fecharão em queda neste ano, isso já está contratado e safra agrícola precificada", disse. "Mas no final deste ano e no início de 2011 essas altas devem impactar", completou Chagas, que esteve hoje em Ribeirão Preto (SP) para o anúncio do IPC mensal de julho no município.

A única exceção apontada pela Fipe entre os alimentos deve ser as carnes, principalmente devido às altas recentes no preço da bovina, com impactos na demanda de aves e peixes. "A carne realmente tem um comportamento errático (na inflação) nos alimentos, com a demanda em alta e oferta baixa de bovinos; com a troca para o frango ou peixe, há também uma pressão", explicou o pesquisador. Ainda de acordo com Chagas, o aumento da oferta de carne bovina previsto para setembro, com a entrada no mercado de animais confinado, pode ajudar a reduzir a pressão do alimento em outubro.

A Fipe retomou hoje a divulgação do IPC em Ribeirão Preto (SP), após firmar parceria com o Associação Comercial e Industrial do município paulista (Acirp). A parceria, até o ano passado, era com o Centro Universitário Moura Lacerda. Segundo a Fipe, em julho houve deflação de 0,089% em Ribeirão Preto.

O grupo Alimentos, com queda de 0,649% e contribuição negativa de 0,213 ponto porcentual, foi o que mais contribuiu para a deflação. Já o grupo Transportes, com alta de 0,569% e contribuição de 0,106%, foi o vilão no mês passado na cidade. Acém, com alta de 8,74%, e etanol, com aumento de 4,35%, foram as maiores pressões de alta no IPC; leite, com recuo de 3,75%, e tomate, com baixa de 30,25%, foram as maiores contribuições na deflação em Ribeirão Preto em julho.

 

 

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