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Alimento sobe 4,5% no campo e pressiona inflação

De 20 preços pesquisados pelo IEA na 3ª quadrissemana deste mês, 16 registraram alta, com destaque para o feijão, que ficou 22,82% mais caro

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2010 | 00h00

A contribuição dos alimentos para manter a inflação praticamente zerada está com os dias contados. Pela quarta vez seguida, o Índice Quadrissemanal de Preços Recebidos pela Agropecuária Paulista registrou alta. Na terceira quadrissemana deste mês, o índice subiu 4,52%, após ter aumentado 2,3% e 3,2% na segunda e terceira quadrissemanas, respectivamente.

O índice de preços ao produtor, apurado pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA), é um indicador antecedente do comportamento dos preços ao consumidor.

"Os preços ao produtor dos alimentos básicos sinalizam um novo ciclo de alta da inflação dos alimentos no varejo", afirma o pesquisador do IEA, José Sidnei Gonçalves. Diante desse novo cenário para os alimentos, Bernardo Wjuniski, economista da Tendências Consultoria, projeta que o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de setembro atinja 0,40%. Deste total, os alimentos responderão por 0,16 ponto porcentual.

"Pressionada pelos alimentos, a inflação virá forte até o fim do ano", alerta Wjuniski. Ele projeta um IPCA médio de 0,45% ao mês em outubro, novembro e dezembro, com o grupo alimentação subido 0,70% a cada mês.

No campo. Dos 20 preços de produtos agropecuários pesquisados no campo na terceira quadrissemana deste mês, 16 subiram e só 4 recuaram, aponta o índice do IEA.

Gonçalves diz que, ao contrário de outras fases de elevação de preços agropecuários, como em fevereiro e maio deste ano, a alta desta vez é generalizada, o que indica que o efeito será prolongado. Já nas outras ocasiões, os aumentos de preços foram de maior intensidade, mas pontuais e restritos a três ou quatro produtos.

Entre os alimentos básicos que mais subiram na terceira quadrissemana deste mês ao produtor está o feijão, com alta de 22,82%, seguido pela laranja de mesa (20,68%), frango (13,92%), carne bovina (7,40%) e arroz (2%). Milho, soja, trigo e algodão também apresentaram altas expressivas no período, de 17,51%, 5%, 19,35% e 27,19%, respectivamente.

Para Gonçalves, do IEA, uma conjugação negativa de fatores explica a elevação de preços. Ele aponta, por exemplo, a seca que afetou a produção de grãos como soja, milho e trigo no exterior, o que impulsionou os preços desses grãos nos mercados futuros. "Houve seca na Austrália, Rússia e Ucrânia e a nova estimativa dos Estados Unidos de redução na produtividade do milho, apesar da safra recorde, impulsionaram os preços no mercado internacional e criaram expectativa no mercado financeiro de aposta na alta dos alimentos no mercado futuro."

Além dos problemas climáticos, o pesquisador do IEA ressalta que a forte demanda interna por alimentos, fruto do crescimento do emprego e da renda, dá sustentação para que os preços se mantenham em níveis elevados. De toda forma, Gonçalves observa que esse ganho de renda não está indo para o bolso do produtor. "Quando o preço está bom, geralmente o agricultor não tem mais o produto, que está na mão do atacadista."

Segundo Wjuniski, da Tendências, a escalada dos preços agropecuários poderia ter impacto inflacionário maior, caso o real não tivesse tão valorizado em relação ao dólar como está hoje.

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