Alimentos ajudam e IPCA vai a 0,18%

Com deflação de 1,2%, leite e derivados foram os principais responsáveis pelo recuo do índice em setembro

Jacqueline Farid, Francisco Carlos de Assis, Flavio Leonel e Alessandra Saraiva, O Estadao de S.Paulo

11 Outubro 2007 | 00h00

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) despencou para 0,18% em setembro, a menor taxa para meses de setembro dos últimos nove anos. É também menos da metade do 0,47% de agosto. O resultado veio abaixo da média de 0,25% esperada por analistas do mercado financeiro. O grupo leite e derivados, vilão dos últimos meses, apresentou deflação de 1,2% e foi o principal responsável pelo recuo do índice.Com a proximidade da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), economistas receberam os dados do IPCA, ontem, de olho nos juros. A avaliação geral é que os dados de demanda, assim como a produção industrial divulgada na semana passada, vão interferir mais na decisão do Copom do que a inflação.A coordenadora de índices de preços do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Eulina Nunes dos Santos, disse que a alta do leite, que vinha ocorrendo desde maio, encontrou um ''''ponto de limitação'''', provavelmente por uma retração da demanda em conseqüência dos preços elevados, e a tendência agora é de queda.O leite pasteurizado, com recuo de 4,86%, deu a maior contribuição individual negativa para a inflação do mês. A escalada dos reajustes desse produto levou a uma alta acumulada de 46,47% em 2007 até setembro, provocando a maior pressão no grupo leite e derivados, que subiu 34,29% no período.A variação do grupo de produtos alimentícios foi de 0,44% em setembro, ante 1,39% em agosto. Além do leite, contribuíram para desacelerar esse grupo a carne (0,62% em setembro, ante 2,98% em agosto) e o feijão carioca (4,09% ante 5,11%). Do lado dos produtos não alimentícios, houve muitos impactos para o recuo da inflação, como telefone fixo (-1,01%), álcool (-1,77%) e gasolina (-0,79%).Segundo Eulina, a apenas três meses do fim do ano, a inflação de 2007 está praticamente definida, com pressão forte dos alimentos, ao contrário do que ocorreu em anos anteriores. Já os produtos não alimentícios, sobretudo os administrados, estão contribuindo para conter a taxa. Ela destacou que houve um ''''ponto de inflexão'''' na inflação medida em 12 meses, de 4,18% em agosto para 4,15% em setembro, e admitiu que o IPCA do ano poderá ficar abaixo do nível de 4%. A meta definida pelo Banco Central para este ano é de 4,5%. Até setembro, o IPCA acumula 2,99%.IGP-MCom os preços dos alimentos in natura subindo fortemente, tanto no atacado quanto no varejo, a inflação medida pela primeira prévia do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) ficou em 0,84% em outubro. Além superar a taxa de igual período de setembro (0,80%), é o maior resultado em mais de quatro anos, desde fevereiro de 2003.Porém, para a Fundação Getúlio Vargas (FGV), a disparada nos preços dos produtos in natura deve perder força até o fim do mês, o que pode levar a um IGP-M de outubro abaixo do de setembro (1,29%). Usado para reajustar aluguel e energia elétrica, o IGP-M acumula elevações de 4,94% no ano e de 6,07% em 12 meses até a primeira prévia de outubro, que vai do dia 21 a 30 de setembro.

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