Alimentos aliviam e inflação pelo IPCA-15 sobe 0,63% em julho

Na véspera, BC elevou a taxa básica de juro para 13%, numa tentativa de combater a contínua alta dos preços

Reuters e Agência Estado,

24 de julho de 2008 | 09h38

A inflação medida pelo IPCA-15 desacelerou mais que o esperado em julho, uma boa notícia para o Banco Central, que decidiu na véspera elevar a taxa básica de juro em 0,75 ponto porcentual, para 13% ao ano, numa tentativa de combater a contínua alta dos preços. A inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) registrou alta de 0,63% no mês, seguindo o avanço de 0,90% em junho, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta quinta-feira, 24.   Veja também: A evolução da taxa Selic no governo Lula  Economistas já prevêem nova alta de 0,75 em setembro Lula: inflação não voltará, podem tirar o cavalo da chuva Entenda os principais índices de inflação  Entenda a crise dos alimentos  De olho na inflação, preço por preço   A alta da Selic foi a terceira consecutiva e a maior desde fevereiro de 2003, início do governo Lula. A decisão do Copom, unânime e sem viés, já havia sido amplamente antecipada pelo mercado financeiro por causa da piora no cenário de inflação para 2008 e 2009. Só havia uma pequena dúvida em relação à intensidade do aperto monetário. A aposta majoritária era de 0,5 ponto, mas alguns arriscaram 0,75. Já o resultado do IPCA-15 veio próximo ao piso das estimativas dos analistas ouvidos pela Agência Estado, que variavam de 0,62% a 0,75%, com mediana em 0,67%.   "Apesar de continuar a ser responsável pela maior parte do índice mensal, o grupo Alimentação e bebidas apresentou desaceleração na taxa de aumento de preços", afirmou o IBGE em comunicado. Os preços do grupo tiveram alta de 1,75%, frente ao avanço de 2,30% no mês passado. Ainda assim, os alimentos foram responsáveis por 63% do IPCA-15 de julho. No ano, o índice acumula elevação de 4,33%. Nos últimos 12 meses, o avanço acumulado foi de 6,30%. O IPCA-15 é tido como uma prévia do IPCA, o índice que serve de referência para a meta de inflação do governo.   Os produtos não alimentícios também mostraram desaceleração no IPCA-15, passando de um aumento de 0,50% em junho para 0,29% em julho. Uma das maiores contribuições para essa perda de ritmo foi dada pelo item energia elétrica, que mostrou recuo de 0,35% no mês, mesmo com o reajuste de 8,63% em vigor a partir de 4 de julho nas tarifas de São Paulo. A metodologia de cálculo é a mesma, apurando a variação de preços para famílias com renda de até 40 salários mínimos em 11 regiões metropolitanas do país. A diferença está no período de coleta, já que o IPCA mede o mês calendário.

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