Alimentos continuarão pressionando a inflação

A expectativa de que uma futura queda na inflação venha a incentivar o governo a reduzir a taxa básica de juros pode demorar a se concretizar. A pressão da alta no preço dos alimentos in natura sobre os índices deve se manter ao menos até o próximo mês, se considerado o comportamento no atacado do custo das hortaliças e verduras. Esse cenário decorre principalmente, da instabilidade climática desta época do ano, que tem mostrado excesso de chuvas no Sudeste e seca no Sul.O economista da Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp) Flávio Godas reforça a tendência de alta dos preços para o consumidor final com base nos aumentos registrados no atacado. Na semana passada, itens como chuchu, abobrinha e vagem tiveram alta de 60%.Isso ocorre principalmente, conforme explica o economista, por causa da redução média da oferta de 30% nos legumes e 15% nas verduras em decorrência das chuvas. Segundo Godas, a tendência é que até o fim do mês haja menos verduras disponíveis, com alguma recuperação nos legumes. "O efeito das chuvas nas verduras é mais tardio. Como a colheita foi antecipada, ainda há produtos disponíveis no mercado, mas, no fim do mês, praticamente não haverá nada para colher e o preço vai subir", diz.Além disso, ele acrescenta que houve queda da oferta também fora de São Paulo. "Com isso, os centros de distribuição do Rio e de Minas Gerais vêm buscar mercadoria em São Paulo aumentando a demanda."O secretário da Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, João Carlos de Souza Meirelles, brinca que "o desempenho do mercado agrícola sempre teve dependência do acordo com São Pedro". No entanto, ele acrescenta que atualmente os produtores têm elasticidade suficiente para substituir, ampliar ou reduzir culturas em busca de melhores resultados. Por isso, o mercado tende a se regularizar.Assim, neste início de 2002, mais do que os preços administrados pelo governo - considerados os principais vilões inflacionários nos últimos anos -, os preços livres, como itens de alimentação e vestuário, estão contribuindo para manter aquecida a tendência de aumento no custo de vida do consumidor.Isso se reflete tanto no IPC da Fipe, que mede a variação do custo de vida na capital paulista, quanto no IPCA do IBGE, usado como base para a meta oficial de inflação do governo.Além dos produtos in natura, a Fundação Procon de São Paulo já verifica que produtos como o macarrão registram alta neste mês. Segundo a diretora de Estudos e Pesquisas do Procon-SP, Vera Junqueira, outros derivados do trigo podem ter aumentos, já que perto de 90% do consumo brasileiro é abastecido pela Argentina.

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