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E-Investidor: Esperado, novo corte da Selic deve acelerar troca da renda fixa por variável

Alimentos e bebidas resistem à retração

Mesmo assim, pesquisa da Abia mostra desaceleração da produção

Marili Ribeiro, O Estadao de S.Paulo

14 de março de 2009 | 00h00

Grandes companhias como Nestlé e Kraft informam que não diminuíram a produção nem cortaram postos de trabalho neste início de ano. Mesmo assim, os dados da Associação Brasileira das Indústrias de Alimentação (Abia), embora não sejam desabonadores, mostram desaceleração da produção do setor. "Não fechamos os números de fevereiro, mas acredito pelo menos que a desaceleração de produção sentida a partir de novembro, por conta da falta de crédito para a cadeia de fornecedores, tenha parado no mês", diz Dênis Ribeiro, coordenador do Departamento de Economia.A desaceleração das linhas de produção acumula queda de 18% entre novembro e janeiro. A baixa máxima se deu em dezembro, com 8% de redução da produção, mas começou a perder ímpeto em janeiro, quando passou para 6% de queda. Deverá zerar em fevereiro. "O crédito começa a se regularizar." Em relação ao emprego, no acumulado de 12 meses até janeiro, o setor correu contra a maré contratando 49 mil pessoas. Mas, embora positivo, mostrou também uma pequena queda (- 0,2%) em janeiro no número de ocupados."A crise é assimétrica. Há setores que estão bem", afirma Marco Simões, vice-presidente de Comunicação e Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil. "A Coca cresceu 7% no último trimestre de 2008, apesar da queda do PIB, e não está só nessa condição", acrescenta. "Estive em contato com vários dirigentes de empresas e todos tiveram desempenho similar. E sinalizam um primeiro trimestre muito bom."O otimismo de Simões reflete o cenário de algumas categorias no varejo, onde a crise não apareceu com a força já sentida entre os segmentos dependentes de exportações. Alimentos e bebidas são historicamente mais resistentes em períodos recessivos. O consumidor adia ao máximo o corte nos gastos. O presidente da Kraft no Brasil, Mark Clouse, não esconde o otimismo com o mercado interno. "A demanda é forte e as vendas vão bem." Ele diz que o consumidor muda de prioridades em momentos como o atual e é preciso estar atento a esse movimento.COLABOROU ANA PAULA LACERDA

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