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Alimentos e serviços devem pressionar inflação em 2011

A inflação promete não dar trégua em 2011 e ficar novamente acima do centro da meta de 4,5% traçada pelo Banco Central (BC). Para o ano que vem, economistas especializados em índices de preços acreditam que a inflação terá um perfil semelhante ao deste ano, isto é, os focos de pressão de preços mais uma vez serão os alimentos e os serviços.

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

28 de dezembro de 2010 | 00h00

Tatiana Pinheiro, economista do Banco Santander, projeta que a inflação oficial medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) atinja 5,5% em 2011, um pouco menos que a alta de 5,8% estimada para este ano. "Mas as pressões serão as mesmas", prevê.

Para Bernardo Wjunisky, economista da Tendências, o ritmo de alta de preços dos alimentos em 2011 será mais moderado do que foi neste ano, em que houve um choque de oferta. Mas a comida deve continuar pesando nos índices de inflação. "Os alimentos podem subir menos em 2011, mas não devem recuar", calcula. Neste ano, os alimentos lideraram o ranking dos grupos de preços que mais subiram no IPCA, com aumento de 9%, seguidos pelas despesas pessoais (7,3%).

No primeiro trimestre de 2011, Tatiana observa que os aumentos de preços advindos dos cereais e das carnes poderão perder força por causa do início da safra, período de maior oferta. Mesmo assim, a perspectiva é de que o grupo alimentação continue pressionado porque certamente as chuvas excessivas do verão vão puxar para cima os preços de hortaliças e legumes.

Além disso, a forte demanda da China por commodities, especialmente as agrícolas, deve sustentar os preços da comida em níveis elevados em 2011. De janeiro até o dia 23 deste mês, as cotações das commodities agrícolas no mercado internacional, medidas pelo índice Commodity Research Bureau (CRB), subiram 25% em dólar e 22% em real, segundo Tatiana. Só neste mês, a alta em dólar foi de 8%. Por isso, novos repasses para os preços dos alimentos no varejo estão a caminho. "Mesmo com a entrada da safra, os preços devem continuar subindo", observa Wjunisky.

Também o movimento de desvalorização do dólar em relação a outras moedas reforça a tendência de correção para cima dos preços das commodities, que são cotadas na moeda americana no mercado internacional.

Inércia. Outro vilão da inflação brasileira de 2011 será o serviço. Com o consumo doméstico aquecido, não haverá dificuldade para repassar para o consumidor reajustes de preços previstos em contratos de aluguéis e mensalidades escolares, que são balizados pela inflação passada.

"A inércia inflacionária existe", afirma Tatiana. Se o IPCA deste ano fechar acumulando alta de 5,8%, este será o piso de reajuste de vários serviços para o ano que vem, observa ela. As escolas, por exemplo, já sinalizaram reajustes na faixa de 7% para o ano que vem e os contratos de aluguéis, regidos pelo Índice Geral de Preços - Mercados (IGP-M) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), devem ter aumentos na casa de 11%.

O impacto da alta dos preços das commodities, impulsionada pela maior demanda chinesa, quebra de safras de produtos agrícolas, desvalorização do dólar e movimentos especulativos de fundos de investimentos, não se restringe aos preços dos alimentos e das matérias primas industriais.

Segundo o economista Fabio Silveira, sócio da RC Consultores, a elevação dos preços das commodities agrícolas e industriais tem reflexos indiretos nos preços de vários serviços.

É que os preços no atacado respondem por mais da metade (60%) do IGP-M. Quando as cotações das commodities explodem no mercado internacional, como aconteceu neste ano, elas puxam para cima o IGP-M e contaminam a inflação de outros segmentos da economia. "Essa é a regra do jogo", diz o economista. Para 2011, essa regra de reajustes continua valendo. Por isso, os preços dos serviços devem começar o ano com aumentos na casa de dois dígitos.

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