Alimentos e tarifas de ônibus puxam alta de 0,48% do IPCA

Segundo IBGE, índice de janeiro subiu por pressões sazonais localizadas

Jacqueline Farid, O Estadao de S.Paulo

06 de fevereiro de 2009 | 00h00

A inflação oficial iniciou o ano pressionada por reajustes sazonais em alimentos e tarifas de ônibus. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) subiu 0,48% em janeiro, pouco acima das projeções de mercado, ante 0,36% em dezembro. Apesar da alta, a taxa em 12 meses prosseguiu em desaceleração e passou de 5,90% no fim do ano passado para 5,84%. O IPCA, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), é referência para a meta de inflação determinada pelo governo, que em 2009 é de 4,5%. A coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, observou que o IPCA de janeiro "não mostrou aumento generalizado de preços, mas altas localizadas". Segundo ela, a maior parte dos reajustes de alimentos é justificada por pressões sazonais, como período de safra e clima. Os produtos alimentícios subiram 0,75% em janeiro, quase o dobro da alta de 0,36% em dezembro. Os itens que mais subiram foram cenoura (18,24%), batata inglesa (15,01%) feijão carioca (3,47%) e cerveja (2,31%). Além dos alimentos, que contribuíram com 0,17 ponto porcentual da variação, a taxa de janeiro também foi pressionada pelas tarifas dos ônibus urbanos, que subiram 3,24%, e tiveram impacto de 0,12 ponto na taxa. Os combustíveis também passaram de uma variação de -0,04% em dezembro para uma alta de 0,53% em janeiro, com aumentos na gasolina (0,42%) e no álcool (0,71%). Eulina explicou que a taxa em 12 meses regrediu porque as pressões de janeiro do ano passado, quando o IPCA foi de 0,54%, foram mais fortes do que em 2009. Em 2008, os reajustes nos produtos alimentícios foram generalizados no primeiro semestre por causa da alta das commodities, em resposta à demanda internacional aquecida. Em 2009, o cenário para os alimentos é diferente e nem mesmo a alta do dólar a partir de setembro do ano passado foi repassada. Eulina disse que a pressão da moeda americana esteve restrita aos eletrodomésticos (que passaram de 0,01% em dezembro para 0,75% em janeiro) e artigos de TV e som (-1,07% em dezembro para 10,48%). "Com certeza o impacto do dólar não é generalizado, mas localizado nesses produtos", disse. José Ricardo Bernardo, analista da consultoria Guedes & Pinheiro, considera que, embora acima das previsões do mercado - que esperava alta de, no máximo, 0,47% -, a alta do IPCA é "pontual e não relevante". No entanto, admite que a inflação um pouco acima do esperado poderá inibir um novo corte de um ponto na taxa básica de juros (Selic), como o ocorrido em janeiro, na próxima reunião do Conselho de Política Monetária (Copom), em março. "Mas isso não deveria ocorrer, porque o momento é de queda na atividade econômica."O analista da Tendências Consultoria Gian Barbosa acredita que as pressões "pontuais" sobre a inflação vão cessar a partir de março, mas avalia que em fevereiro, o IPCA deverá subir mais uma vez, para 0,65%, pelos mesmos motivos de janeiro. Porém, ele projeta para o ano uma taxa acumulada de 4,2%, abaixo da meta.

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