Alimentos mantêm pressão e IPCA sobe para 0,55% em abril

Destaque foi o pão francês, que teve alta de 7,33% e contribuiu com 0,08 ponto porcentual para o índice

AE, Agencia Estado

09 de maio de 2008 | 09h04

A inflação de abril medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) foi de 0,55%, divulgou nesta sexta-feira, 9, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A alta dos alimentos novamente foi destaque na inflação apurada pelo IPCA de abril. Os preços dos itens alimentícios subiram 1,29% em abril, acima do porcentual de março (0,89%) e contribuíram com cerca de metade do índice - com 0,28 ponto porcentual.  Veja também: Prévia do IGP-M quadruplica puxada por alimento e commodity IPC-S sobe 0,83% na 1ª prévia de maio puxado por alimentosAlimentos pressionam e IGP-DI acelera para 1,12% em abrilEntenda a crise dos alimentos Entenda os principais índices de inflação Em março, o índice foi de 0,48% e em abril do ano passado, 0,25%. Em 2008 até abril, o IPCA acumula alta de 2,08% e em 12 meses, de 5,04%. O resultado de abril veio dentro das estimativas de 31 instituições ouvidas pela Agência Estado (de 0,51% a 0,62%) e perto da mediana de 0,56%. O maior destaque individual foi o pão francês, que teve alta de 7,33% em abril e contribuiu com 0,08 ponto porcentual para o índice. Outros derivados de trigo que também mostraram alta foram farinha (6,80%), macarrão (2,34%), pão doce (3,02%) e pão de forma (1,12%).  Ainda na lista de alimentos que tiveram altas significativas estão a cebola (15,87%), leite pasteurizado (3,56%), óleo de soja (3,18%), arroz (1,96%) e as carnes (1,35%). Por outro lado, o preço do feijão carioca teve queda de 10,99%. O preço do ovo baixou 4,03% e o do frango caiu 3,02%. Açúcar refinado e feijão preto também tiveram reduções destacadas pelo IBGE, de respectivamente, 1,25% e 0,73%.  Já os produtos não-alimentícios tiveram alta de 0,34% registrada pelo IPCA de abril, próxima a de 0,36% da de março. Em abril, os preços do vestuário subiram em média 1,53%; os artigos de limpeza, 1,41%; remédios, 1,18% e artigos de higiene pessoal, 0,80%.  Os destaques de queda no mês entre os produtos não-alimentícios foram os combustíveis - álcool (-0,65%) e gasolina (-0,14%) - e energia elétrica (-0,49%).  A taxa acumulada em 12 meses pelo IPCA de abril, de 5,04%, é a mais alta para períodos de 12 meses desde março de 2006, quando foi de 5,32%. É também a primeira vez que, desde aquela época, a taxa passa de 5,0%. "A taxa tem crescido de forma sistemática e insistente", afirmou a coordenadora de Índice de Preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos. Para Eulina, "não há indicação" de redução dos preços de alimentos e de interrupção da pressão que eles estão exercendo na inflação. Ela lembrou que a alta tem sido muito influenciada pela cotação desses produtos alimentícios no mercado internacional, já há algum tempo. Para o IPCA de maio, disse, "tudo depende de como vai evoluir a pressão dos alimentos".  A coordenadora explicou ainda que o álcool baixou de preço e, como é misturado à gasolina, reduziu o preço deste combustível também. Já a redução da energia elétrica deve-se a uma queda de 17% na tarifa em Belo Horizonte. O IPCA é o índice oficial utilizado pelo Banco Central para cumprir o regime de metas de inflação, determinado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). O centro da meta de inflação para 2008 foi estabelecido em 4,5%, com margem de tolerância de dois pontos porcentuais para cima ou para baixo. Carnes  Dificuldades para exportação de carnes brasileira talvez estejam contribuindo involuntariamente para suavizar a pressão do produto na inflação, segundo hipótese levantada pela coordenadora. O motivo é que a alta média de 1,35% das carnes em abril pelo IPCA, um dos destaques do índice no mês passado, deve-se exclusivamente às carnes de segunda. Os cortes de primeira não estão subindo e estão até com um leve recuo, comentou a técnica. De acordo com ela, essa divergência nos movimentos dos preços dos tipos de carnes "sugere um efeito" das restrições às exportações de carnes brasileiras à União Européia, que importa carnes de primeira. A coordenadora observou também que o aumento de 3,56% do leite pasteurizado deve-se ao período de entressafra, que "já começou" e deve influir também na inflação deste mês.

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