Epitácio Pessoa|Estadão
Epitácio Pessoa|Estadão

Alimentos são ‘vilões’ do IPCA baixo, diz BC

Inflação abaixo do piso da meta leva BC a enviar carta à Fazenda para justificar ‘erro’

O Estado de S.Paulo

10 de janeiro de 2018 | 22h23

RIO e BRASÍLIA – A forte queda nos preços dos alimentos em 2017, de 4,85%, foi o motivo apontado pelo Banco Central para que a inflação tenha subido apenas 2,95% em 2017. Este índice, o mais baixo da história do regime de metas de inflação, iniciado em 1999, ficou fora do intervalo perseguido pelo BC para o ano passado, de inflação entre 3% e 6%. Foi a primeira vez que ocorreu descumprimento da meta porque a inflação foi baixa demais – e não alta demais.

Em função do descumprimento, o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, precisou escrever uma carta aberta ao ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, para justificar a inflação baixa. Segundo ele, não fossem os alimentos, favorecidos pela superssafra de grãos do ano passado, o IPCA – o índice oficial de preços – teria subido 4,54% e, portanto, estaria no centro da meta (4,5%).

++Pela 1ª vez desde 1994, Brasil encerra o ano com preço dos alimentos em patamar mais baixo

Apesar de o IPCA ter ficado fora do intervalo, Goldfajn considerou 2017 um ano positivo para a economia. “Essa queda substancial na inflação levou a uma queda consistente na taxa de juros”, citou Goldfajn durante entrevista à imprensa, em referência ao recuo da Selic (a taxa básica de juros) no ano passado.

A Selic caiu no período de 13,75% para 7% ao ano: “Isso, combinado com outros fatores, propiciou a retomada da economia através do aumento do poder de compra e do consumo. Com isso, a economia reencontrou seu rumo após dois anos de recessão.”

++'Inflação baixa é bom e não tem nada de errado nisso', diz presidente do BC

Agro. Por trás do movimento está a maior produção agrícola da história. Segundo especialistas em agropecuária, o campo viveu condições perfeitas na safra 2016/2017, colhida ano passado. “A agropecuária, mais uma vez, ajudou a economia a ter musculatura”, afirmou Renato Conchon, coordenador do Núcleo Econômico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Nos últimos dois meses, a ambulante Ivanise da Silva Lima, de 25 anos, não viu os preços das goiabas que vende no Centro do Rio caírem. Mas em Magé, na região metropolitana do Rio, onde mora, a vendedora já percebeu um alívio.

CELSO MING Abaixo do piso

“A carne deu uma maneirada um pouco. Devagarinho, os preços estão caindo”, disse Ivanise. / FABRÍCIO DE CASTRO, EDUARDO RODRIGUES, VINICIUS NEDER e DANIELA AMORIM

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