Alimentos voltarão a ter papel decisivo para a inflação de 2010

A variação de preços desse produtos poderá aliviar ou pressionar os índices, mas de maneira menos intensa

Flavio Leonel, da Agência Estado,

29 de dezembro de 2009 | 15h56

O comportamento dos preços dos alimentos terão novamente papel decisivo para o cenário retratado pelos indicadores de inflação no ano que vem. A avaliação é do coordenador de Análises Econômicas da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, que, em entrevista à imprensa, disse hoje que a variação neste tipo de itens poderá aliviar ou pressionar os índices, mas de maneira menos intensa da que foi observada em 2008 e neste ano.

 

"Não veremos os alimentos como os salvadores da pátria de 2009 e tampouco como os vilões de 2008", comentou.

 

Em 2009, tomando como base a abertura do Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), que acumulou no ano uma deflação histórica de 1,72%, os alimentos, tanto no atacado como no varejo, tiveram influência baixista importante.

 

No Índice de Preços ao Consumidor do IGP-M (IPC-M), por exemplo, que representa 30% do IGP-M, o grupo Alimentação apresentou variação positiva acumulada de 2,49% neste ano contra elevação expressiva de 10,39% em 2008. Esta desaceleração foi fundamental para que o IPC-M saísse de uma taxa acumulada de 6,07% para 3,97% entre o ano passado e o ano atual que se encerra.

 

No Índice de Preços por Atacado (IPA), que representa 60% do IGP-M e mostrou queda também histórica de 4,42% em 2009, chamou a atenção de Salomão Quadros a variação dos preços agropecuários do atacado, que acumularam baixa 3,73% no ano ante elevação de 3,91% em 2008.

 

Só em dezembro, por exemplo, os preços dos alimentos in natura no atacado recuaram 6,15% ante elevação de 4,50% em novembro, refletindo baixas importantes de itens, como a batata-inglesa (-24,09% ante alta de 31,22%) e o tomate (-27,55% ante aumento de 7,10%). Outro alimento que mereceu destaque no mês foi a soja em grão, que recuou 1,56% ante baixa mais modesta, de 0,31%, observada em novembro.

 

Quadros voltou a lembrar da volatilidade dos preços do alimentos, cujo comportamento é facilmente influenciado por fatores climáticos. Citou como maior exemplo de 2009 o açúcar cristal, cuja alta acumulada no ano, de 77,55%, foi a mais expressiva do IPA e impediu quedas ainda mais baixas tanto do indicador de preços do atacado como do próprio índice geral da FGV.

 

Neste ano, o produto sofreu influência nos mercados internacionais especialmente dos problemas de safra da cana de açúcar na Índia. Para o coordenador, é justamente este tipo de volatilidade que deixa os preços dos alimentos como fatores decisivos para o comportamento da inflação em 2010, que deve ser marcado por uma maior recuperação da economia nacional e internacional e um natural aumento na demanda por Serviços no País.

 

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