Alívio com eleição na Grécia dura pouco e Espanha volta a assustar o mercado

A lua de mel não durou mais do que algumas poucas horas e o aparente fim do suspense na eleição na Grécia não deu alívio à Europa. Ontem, a crise jogou a Espanha à beira de um precipício financeiro e mergulhou o continente numa indefinição até então desconhecida.

JAMIL CHADE, CORRESPONDENTE / GENEBRA, O Estado de S.Paulo

19 de junho de 2012 | 03h06

O resultado da eleição na Grécia no fim de semana foi recebido com alívio, com a vitória de partidos que defendem o acordo de resgate com a Europa e a aparente formação de um governo de coalizão entre a Nova Democracia e os socialistas. O resultado afasta a possibilidade de que um governo de extrema esquerda assumisse o poder e decretasse o fim dos acordos entre Bruxelas e Atenas, na prática expulsando a Grécia da zona do euro.

Para analistas, porém, a eleição fracassou em dar garantias ao bloco e deixou claro que a crise grega apenas encobria uma incerteza generalizada. A lua de mel nos mercados foi mais curta do que se esperava. O foco de instabilidade se transferiu para a Espanha e deixou evidente a falta de estratégia da UE para lidar com a crise e o fato de que a quarta maior economia do bloco ainda não tem solução para a crise.

"O mercado escancarou uma realidade que os europeus descobrem a cada dia: a de que resolver a situação de Atenas já não resolve a crise da UE", disse um negociador europeu ao Estado.

Dia ruim. Ontem a Espanha viveu seu pior dia nos mercados financeiros desde o início da crise. O risco país bateu novo recorde e a bolsa de Madri despencou, numa indicação de que o país está a ponto de ver as portas do mercado de crédito se fecharem.

O dia começou com sinais positivos, com o resultado das eleições gregas. Madri chegou a ver a bolsa subir 2%. Mas o otimismo logo deu lugar a uma onda de tensão sem precedentes na Espanha desde a criação do euro.

Madri anunciou há dez dias que havia fechado um acordo para um resgate de até 100 bilhões para seus bancos. Mas ontem a própria UE admitiu que o pacote não estava pronto. Sem uma definição de quem receberia esse dinheiro, quais seriam os critérios, quem ficaria responsável e nem mesmo quando o dinheiro chegaria, o mercado reagiu. A bolsa fechou em queda de 2,9%, mesmo índice de Milão. Já a taxa de juros da dívida espanhola atingiu o recorde de 7,2%, o que, na prática, impede que o governo tenha acesso sustentável a um financiamento no mercado.

Ontem, o governo espanhol se limitava a tentar dar garantias ao mercado, em vão. Enquanto isso, no México, a nova onda de turbulência deixou a chanceler alemã Angela Merkel sob forte pressão do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e do restante do G-20, para que seja flexível em seu receituário para o continente e ofereça uma nova alternativa para superar a crise. Em ano de eleição, Obama não quer ver a crise europeia atingir as costas americanas.

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