Alívio com inflação não anima mercado

O mercado financeiro começou o dia tranqüilo depois da divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe). O resultado, de 1,55%, veio abaixo das estimativas. A expectativa maior agora é a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA), que é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e funciona como o referencial para as metas de inflação do governo. O número sai na próxima semana.Apesar da tranqüilidade, o mercado financeiro não demonstra entusiasmo e o volume de negócios continua muito baixo. A Bolsa de Valores de São Paulo deve fechar o dia com um volume de negócios em torno de R$ 470 milhões. No início da tarde, o Ibovespa - Índice que mede a valorização das ações mais negociadas na Bovespa - acumulava queda de 0,53%.O mercado no Brasil também não é favorecido pelo cenário internacional. Depois do feriado de ontem nos Estados Unidos, a Nasdaq - bolsa que negocia papéis do setor de tecnologia e Internet nos Estados Unidos - chegou a cair quase 1,84%, pressionado pelo mau desempenho das ações da Intel e do setor detelecomunicações. No mercado de câmbio, a moeda norte-americana apresentou alguma oscilação durante a manhã. Abriu cotada a R$ 1,8280 na ponta de venda e chegou a R$ 1,8310. Porém, no início da tarde, já havia recuado e era vendida a R$ 1,8260. Há pouco, os contratos de juros de DI a termo - que indicam a taxa prefixada para títulos com período de um ano - pagam juros de 17,000% ao ano no início da manhã, frente a 17,035% ao ano registrados ontem. Falta de recursos e preço do petróleo preocupamDe maneira geral, o mercado se mostra otimista para o médio prazo. A maioria dos analistas aposta norecuo da inflação e em outras notícias positivas, como uma possível melhora do rating do Brasil, que pode ser concedida pelas agências de rating neste segundo semestre. Hoje, o presidente do Banco Central, Armínio Fraga, embarca para os EUA, onde vai manter contatos com estas agências. Porém, no caso do mercado acionário, o bom desempenho ainda depende de uma entrada maior de recursos, especialmente por parte do capital externo. Mas isso ainda não se percebe ainda. Conforme apurou a editora Graziella Valenti, o balanço de investimentos estrangeiros da Bovespa apontou a retirada de R$ 613 milhões em recursos, no mês de agosto. No acumulado do ano, o resultado também revela uma saída de recursos no valor de R$ 734,2 milhões.Mas o que mais preocupa o mercado financeiro no momento é a alta do preço do petróleo. Ontem, chegou a atingir recorde de 10 anos, a US$ 32,84 o barril em Londres. O grande temor é que essa alta no preço do óleo contamine os preços dos combustíveis no Brasil, comprometendo os índices de inflação. Em sua última ata, o Comitê de Política Monetária (Copom) afirma que a continuidade dos preços atuais pode exigir novos reajustes de combustíveis. Essa possibilidade, somada à observação de que a folga da meta de inflação para 2001, de 4%, caiu substancialmente, ainda deixa o mercado alerta.

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