Alívio dos alimentos garante IGP-M abaixo do esperado

Indicador fecha o mês com alta de 1,76%, depois de ter avançado 1,98% em junho

Renato Andrade, da Reuters,

30 de julho de 2008 | 09h11

Os fortes reajustes de preços dos alimentos, que forçaram a disparada da inflação na primeira metade do ano, começam a dar sinais de enfraquecimento, garantindo uma desaceleração gradual dos índices de preços no início do segundo semestre. A mais recente evidência deste movimento veio do Índice Geral de Preços do Mercado (IGP-M) de julho, que subiu menos que o esperado, favorecido pela menor pressão provocada exatamente pelos alimentos.   Veja também: Entenda os principais índices de inflação  Entenda a crise dos alimentos  De olho na inflação, preço por preçoO indicador fechou o mês com alta de 1,76%, depois de ter avançado 1,98% em junho, segundo informou a Fundação Getúlio Vargas (FGV) nesta quarta-feira. Analistas consultados pela Reuters já esperavam uma desaceleração, mas o resultado foi melhor que o imaginado. A mediana das estimativas feitas por 26 instituições consultadas apontava para uma alta de 1,83% para o indicador em julho. Todos os três componentes do IGP-M - um indicador importante de inflação por ser utilizado no reajuste de diversos contratos, como os de aluguel - registraram altas menores em julho, quando comparadas aos movimentos de junho. Os preços no atacado, por exemplo, subiram 2,20%, depois de terem subido 2,27% em junho. Uma das principais contribuições para essa desaceleração veio dos alimentos in natura, que depois de terem saltado 7,69% no mês passado, registaram uma queda nos preços em julho de 1,32%. Do lado dos consumidores, a inflação passou de 0,89% para 0,65%. "A principal contribuição no sentido descendente partiu do grupo Alimentação", afirmou a FGV. Os alimentos sofreram um reajuste de 1,41% nos preços em julho, depois de terem subido 2,20% no mês anterior. O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) - terceiro componente do IGP-M - teve a desaceleração mais acentuada do período, passando de 2,67% de alta para avanço de 1,42%. O alívio de julho, entretanto, não foi suficiente para reduzir de maneira significativa a alta acumulada pelo IGP-M no ano, que é de 8,71%. Nos últimos 12 meses, o quadro é ainda pior. O índice acumula um avanço de 15,12% no período. O IGP-M de julho foi calculado com base nos preços coletados entre os dias 21 de junho e 20 de julho.

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