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Alívio nas contas externas

No meio de tanta notícia negativa, apareceu uma positiva; Em maio, as contas externas melhoraram mais do que vinha sendo esperado

Celso Ming, O Estado de S. Paulo

22 de junho de 2015 | 21h00

No meio de tanta notícia negativa, apareceu uma positiva. Em maio, as contas externas melhoraram mais do que vinha sendo esperado.

Em abril, o rombo nas contas correntes (fluxo de pagamentos com o exterior, menos entrada e saída de capitais) foi de US$ 6,9 bilhões. Em maio, caiu para US$ 3,4 bilhões, menos da metade do resultado de maio do ano passado (US$ 7,9 bilhões).

Ainda é cedo para afirmar que o jogo virou porque, no período de dois anos, maio foi o primeiro mês que não decepcionou.

Indício de maior consistência nessa área está no fato de que a maioria das subcontas reagiu positivamente. Isso significa que a melhora está mais espalhada, não se concentra em apenas um ou dois setores.

O primeiro fator que explica em parte esse comportamento melhor é o ajuste do câmbio que provocou a alta do dólar, de 16%, desde janeiro. Importações ficaram mais caras em reais e exportações, mais baratas em dólares. O efeito sobre a balança comercial é visível. O déficit comercial, que fechou o ano passado nos US$ 3,9 bilhões, começa a virar. No acumulado do ano, estava ainda no vermelho em maio (-US$ 2,3 bilhões), mas, pelos números divulgados ontem pelo Ministério do Desenvolvimento, acumulou até a terceira semana de junho US$ 914 milhões, já positivos. As projeções do Banco Central para 2015 são de superávit de U$ 3,0 bilhões.

Como passaram a receber mais reais por dólar, os investidores externos também devem aumentar suas remessas para o Brasil, efeito ainda não registrado. O Investimento Direto no País (novo nome para a rubrica Investimento Estrangeiro Direto) foi de US$ 5,8 bilhões em abril, e passou a US$ 6,6 bilhões em maio. O Banco Central aposta em entradas líquidas nessa conta de US$ 80 bilhões, 28,0% a mais do que os US$ 62,5 bilhões registrados em 2014. Parece projeção otimista demais, levando-se em conta a forte deterioração da economia brasileira e o cenário mais cauteloso que está pintando entre os investidores externos. O mercado consultado semanalmente pelo Banco Central (Pesquisa Focus) não aposta em entrada líquida neste ano maior do que US$ 66,5 bilhões. Mas esta é uma conta sensível à percepção do risco Brasil. O eventual rebaixamento da qualidade dos títulos do País pelas agências de rating pode brecar fortemente o fluxo de investimentos para cá.

Esse número é importante na medida em que ajuda a cobrir o rombo em conta corrente, sem endividamento e sem entradas de capitais de curto prazo. 

Mas o salto do dólar não agiu sozinho no melhor desempenho das contas externas em maio. Aí o fator mais relevante é a pancada da recessão, que vai produzindo forte redução do consumo. Tanto reduziu que as importações no ano até a terceira semana de junho encolheram 17,7% em relação ao mesmo período de 2014. Em geral, forte déficit em conta corrente, como ocorreu ao longo do primeiro governo Dilma, não reflete apenas consumo superior às capacidades da economia, mas também desequilíbrios na matriz econômica - o que também aconteceu.

CONFIRA:

Aí está a evolução dos Investimentos Diretos no País (IDP), nova denominação dos Investimentos Estrangeiros Diretos (IEDs).

E as pedaladas continuam

O ex-secretário do Tesouro Arno Augustin assumiu toda a responsabilidade pelas pedaladas fiscais ocorridas entre janeiro de 2011 e janeiro de 2015, como se ninguém no governo tivesse imposto ou concordado com essas práticas. Mas as pedaladas continuam, como os especialistas vêm denunciando. Quem vai agora responder por elas? Seria o atual secretário do Tesouro, Marcelo Saintive? 

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