Alívio temporário na inflação

O Banco Central pode ter recebido de bandeja uma justificativa para parar de subir a Selic na próxima semana. A queda de 0,04% no segundo decêndio do IGP-M não apenas sinaliza tranquilidade para a família de indicadores do IGP, mas também aponta IPCA mais tranquilo para maio, ajudado, dessa vez, por alimentação.

Sergio Vale*, O Estado de S.Paulo

20 de maio de 2014 | 02h06

Será mais um suspiro no meio de uma ventania. O prognóstico para o IPCA até o final do ano continua negro. Os aumentos das tarifas de energia continuarão ocorrendo e a sinalização de aumento de 30% que será provavelmente pedido pela Copel paranaense é apenas prenúncio da pressão que se vê no setor.

A Copa ocorrerá em um período usualmente benéfico por conta de preços de alimentos, mas o evento pode ser um contrapeso a essa sazonalidade. A taxa de câmbio que, por hora, mantém-se relativamente apreciada em relação ao pico que se alcançou, tende a depreciar quando passar a crença do mercado de que Lula retornará. Uma possível reeleição de Dilma Rousseff deve dar novo fôlego ao enfraquecimento do Real.

O problema é que, tirando os picos e pisos da inflação desde a década de 90, ainda não conseguimos, de fato, baixá-la de 6%. É como se, em período de normalidade, o brasileiro trabalhasse não com 4,5% - a inatingível meta de inflação - mas com 6% em média. Esse cenário tem se consolidado, o que traz dificuldades para o BC convencer a sociedade que de fato quer 4,5%. Para isso, a sinalização dúbia que ele traz de que a Selic já subiu o suficiente não ajuda a mudar esse cenário.

A perda de credibilidade tem se acentuado e subir de 7,25% para 11% tem sido suficiente apenas para manter a inflação ao redor do teto da meta - pouco a mais que os 6%. Será inevitável, após as eleições, o BC voltar a agir. Caso contrário, terminaremos não só 2014 com inflação acima do teto, mas 2015 também.

*Sergio Vale é economista-chefe da MB Associados.

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