Alkimar Moura: juro fecha o ano em 15%

A alta dos índices de inflação é transitória e não significa uma mudança na trajetória média dos preços. Essa é a opinião de Alkimar Moura, ex-diretor da Dívida Pública do Banco Central (BC) e sócio da M2 Consultores. "Como o aumento dos preços não é sancionado por uma política monetária frouxa ou por aumentos de gastos públicos, não há porque mudar a projeção dos juros", disse Alkimar. Mantendo a estimativa da Selic de 15% em dezembro, ele reviu a projeção para o Índice de Preços ao Consumidor Ampliado (IPCA) no ano, de 4,57% para 5,8%, dentro ainda da meta do governo. Para o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fipe, a projeção subiu de 3,57% para 4,9%.Cenário favorável ao crescimentoAlkimar lembra que a política monetária não deve reagir a mudanças pontuais de preços. Até porque os juros não são muito eficientes para reagir contra mudanças pontuais. Apesar do impacto da inflação sobre a renda, ele vê um cenário favorável ao crescimento no segundo semestre, que deve ser impulsionado pelo aumento do crédito, a partir do juro menor e da provável redução dos compulsórios. A estimativa da M2 é de um crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 3,5% a 4%. A economia não pode crescer em uma velocidade alta, uma vez que isso aumentaria o consumo de matérias-primas e produtos, ampliando as importações e pressionando a balança comercial. No cenário externo, Alkimar vê alguns riscos de elevação de juros nos EUA. Sobre a Argentina, os números recentes de produção industrial favoráveis, com crescimento de 4%, podem indicar mudança de tendência.

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