ALL, Triunfo e Vetorial anunciam mineradora e preveem investir R$ 7,6 bi

Commodities. Vetria Mineração terá mina em Corumbá, operação logística para levar o minério de ferro até Santos (SP) e terminal portuário para exportar o produto; maior parte dos investimentos anunciados irá para a modernização da ferrovia

RENÉE PEREIRA, O Estado de S.Paulo

20 de dezembro de 2011 | 03h04

América Latina Logística (ALL), Triunfo e Vetorial anunciaram ontem a criação de uma nova empresa de mineração. A companhia, chamada Vetria, será responsável pela exploração, transporte e comercialização do minério de ferro extraído no Maciço do Urucum, em Corumbá (MS) - região que detém uma das maiores reservas do Brasil.

A criação da empresa é o primeiro passo para um projeto bilionário que vai integrar mina, ferrovia e porto, nos moldes do que ocorre com a Vale em Carajás (PA). Nos próximos quatro anos, a nova companhia vai investir R$ 7,6 bilhões para ampliar a produção da mina e eliminar os gargalos logísticos que hoje atrapalham a exploração do minério na região, explica Paulo Basílio, presidente da ALL, que terá 50,4% de participação na nova empresa. A Vetorial terá 33,8% e a Triunfo, 15,8%.

Logística. A ferrovia vai receber quase dois terços dos investimentos. Para a modernização da linha atual, que liga Corumbá ao Porto de Santos, a Vetria vai aplicar R$ 2,2 bilhões na troca de 250 mil toneladas de trilhos e 3 milhões de dormentes (as barras de madeira que sustentam os trilhos serão substituídos por barras de concreto).

A frota da empresa será composta por 5,6 mil vagões e 180 locomotivas, que custarão algo em torno de R$ 2,3 bilhões. Além disso, 75 pátios de cruzamento (áreas onde os trens aguardam a passagem de outra composição) serão ampliados.

O segundo maior volume de investimento, de R$ 2 bilhões, vai para a operação portuária. O terreno de 1,9 mil metros quadrados que a Triunfo detém em Santos será transformado em um terminal para o transporte de minérios. O presidente da Triunfo, Carlo Bottarelli, destaca que a união das três empresas para criar a Vetria foi a grande solução para tornar o empreendimento portuário viável.

Com as limitações impostas pelo governo federal na construção de terminais privativos de contêineres, o projeto para a área foi abortado. "Ficamos com um terreno maravilhoso para plantar banana." O terminal, que já tem licença ambiental prévia, terá capacidade para movimentar 1,3 milhão de toneladas de minério. Terá um berço de atracação de 380 metros e calado de 14 metros, para navios de 125 mil toneladas.

"O terminal será equipado com dois viradores de vagão, que permitirão carregar um navio em 12 horas", diz o presidente da Vetria, Alexandre Santoro. Segundo ele, os investimentos em logística permitirão o transporte de até 27,5 milhões de toneladas por ano. A capacidade é suficiente para atender a produção da Vetria e de outras mineradoras da região.

A expectativa é que, em 2016, a extração de minério da empresa alcance 10 milhões de toneladas e, no ano seguinte, atinja 20 milhões de toneladas. Hoje a mina, explorada pela Vetorial, tem capacidade instalada para um milhão de toneladas por ano. Atualmente a logística feita por hidrovia limita o aumento da capacidade da mina, diz Basílio. São 25 dias para percorrer 2,5 mil km.

O investimento destinado à ampliação da produção de minério soma R$ 1,1 bilhão, e inclui a construção de uma esteira de 10 km entre a mina e a ferrovia. A estimativa da empresa é que a reserva, cujo minério tem 62% de teor de ferro, tenha recursos minerais de 1 bilhão de tonelada.

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