ALL vai investir R$ 300 milhões em ferrovias na região

Serão adquiridos 10 mil toneladas de trilhos, 600 vagões e 30 locomotivas, além da construção de pátios e acessos a portos

Michelly Chaves Teixeira e Ana Conceição, AGÊNCIA ESTADO, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2010 | 00h00

A América Latina Logística (ALL) vai investir R$ 300 milhões na Região Sul este ano, segundo o presidente da operadora ferroviária, Bernardo Hees. Serão adquiridos 30 locomotivas, 600 vagões e 10 mil toneladas de trilhos, além de construídos pátios e acessos aos portos de São Francisco (SC), Paranaguá (PR) e Rio Grande (RS). "São investimentos necessários para atender o aumento da demanda por transporte de cargas, tanto industrial quanto agrícola.".

A ALL espera um crescimento de 10% no volume transportado na região em 2010. As operações no Sul representam 60% da receita da companhia. O valor a ser aplicado no Sul corresponde a 30% do R$ 1 bilhão que será desembolsado em todo o exercício de 2010. Os outros R$ 700 milhões serão usados para atender o crescimento orgânico da empresa de logística e no projeto Rondonópolis (MT), que prevê a construção de 260 quilômetros de ferrovia em Mato Grosso.

A ALL também está trabalhando na reativação de ramais ferroviários. A empresa investiu na melhoria do trecho entre Santo Ângelo e Giruá, no Rio Grande do Sul, reforçando os trilhos para maior circulação de vagões. Em 2011, ramais da área de São Luiz Gonzaga serão reativados, destacou o presidente da ALL.

A safra do Sul no ciclo 2009/10, de 61 milhões de toneladas segundo o Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), deve elevar o porcentual de transporte agrícola da ALL para algo entre 55% e 60%. Em 2006, era de 50%. Segundo Hees, cerca de 70% da safra de grãos do Paraná e do Rio Grande do Sul é transportada por ferrovias.

Em que pese a maior participação dos grãos neste ano, a empresa aposta no aumento do transporte industrial. "Hoje não se vê uma indústria no Sul que não preveja o transporte por ferrovia", afirmou. Além disso, Hees observou que a ALL segue investindo no transporte intermodal de cargas para o setor industrial e também agrícola. Hoje, a participação de mercado da ALL no transporte intermodal é inferior a 20%. O transporte de contêineres também é olhado com atenção pela companhia, que já está articulando parcerias. "Esse esforço será endereçado aos portos de Santos e do Sul do País, como Paranaguá e Rio Grande", comentou Hees.

O transporte entre praças do mercado interno é outro segmento que também tem tido parte importante na estratégia da empresa, com um incremento entre a integração entre grandes cidades. Segundo Hees, aumentou o transporte de cargas entre Porto Alegre e São Paulo, São Paulo e Buenos Aires, Porto Alegre e interior. "No começo era só porto, hoje o equilíbrio é maior", salientou. Mas dois terços do transporte ainda são destinados à exportação.

O executivo considerou bem delineados os projetos para o setor ferroviário inclusos nos Planos de Aceleração do Crescimento (PAC) 1 e 2 e disse que, se 60% deles forem realizados, "o Brasil muda de patamar" no que se refere à logística. Mas, em que pese a importância dos grandes projetos de infraestrutura, Hees ressaltou que é a resolução de pequenos gargalos que poderá melhorar a produtividade da logística nacional. "Poderemos dar grandes saltos com os projetos que cuidam de pequenos entraves, como as entradas de grandes cidades e de portos, obras que melhorem a circulação de caminhões, ferrovias, hidrovias. Projetos pequenos e médios podem criar grandes eficiências e deveriam ser prioridade."

José Roberto Ricken

Diretor da Organização das Cooperativas do Paraná

Considerou que a Região Sul e o País tem potencial equivalente ao americano, mas é preciso vencer os gargalos de infraestrutura. Citou a necessidade de esforços para melhoria da estrutura tributária, regras de cabotagem e estrutura de financiamento.

Bernardo Hees

Presidente da ALL

Disse que o País deve enxergar seus gargalos como oportunidades. No Sul, com obras pequenas e médias é possível ganhar eficiência. Ele acha que o País muda de patamar se forem feitas 60% das obras previstas pelo PAC. "Pode se gostar ou não, mas o fato é que o PAC criou foco", afirmou.

Marcelo Perrupato

Secretário nacional de

Política dos Transportes

Afirmou que o PNLT prevê investimentos de R$ 20 bilhões por ano até 2025. A maior parte vai se concentrar nas Regiões Sul e Sudeste. Nessas regiões, a preocupação é de resolver gargalos. Noutras regiões, o centro é a expansão de ferrovias, hidrovias e estradas.

Belmiro Valverde

Professor da PUC Paraná

As médias de crescimento da Região Sul, nos últimos 12 anos, são razoáveis, mas elas mascaram a realidade de áreas altamente estagnadas. A região é muito dependente das exportações de commodities. Os principais desafios são, ainda, a infraestrutura e agregar valor à produção.

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