Alongamento das exportações deverá impactar preços da soja, diz Agroconsult

A falta de capacidade dos portos brasileiros para exportar a atual superssafra de grãos deverá alongar o calendário das exportações de soja, que normalmente atingem um pico em maio e arrefecem no segundo semestre, com impactos nos preços da oleaginosa, disse nesta terça-feira um importante consultor do setor.

GUSTAVO BONATO, Reuters

26 de março de 2013 | 19h31

"A nossa exportação de soja e milho vai começar a ficar mais 'flat' ao longo do ano. Não dá mais para ter tudo concentrado em cinco ou seis meses", disse o diretor da consultoria Agroconsult, André Pessôa, em um evento em São Paulo, acrescentando que não será uma surpresa que se repita com a soja o que ocorreu com o milho, que terminou 2012 e iniciou 2013 com grandes volumes de exportação.

A consultoria avalia que o Brasil conseguiu exportar a 90 por cento de seu potencial em 2012, e neste ano os portos precisariam ser ainda mais eficientes. O problema é que em fevereiro e março os embarques ficaram abaixo da média. Em Paranaguá a chuva atrapalhou as movimentações numa soma de 27 dias de janeiro ao início de março.

Números do governo federal mostram que, na média diária, março está tendo um volume embarcado menor que o registrado no mesmo mês de 2012.

O período entre maio e agosto é crítico da exportação, e só depois disso poderá ser feita uma avaliação do volume de soja remanescente nos armazéns brasileiros.

"No final de julho a gente vai ter uma ideia do que sobra para o final do ano... A gente está numa transição de modelo de logística."

VOLATILIDADE

A possibilidade de estoques mais elevados no país no segundo semestre e no início de 2013 pode aumentar o desconto incidente sobre a soja vendida.

"Eu acredito que a gente pode ter um reflexo muito ruim no final do ano. Com esse represamento de soja, haverá um descolamento muito maior dos preços internacionais com os internos. Você terá um estoque muito maior que o necessário. Se ficar soja armazenada para a próxima safra, vai comprometer a formação de preço da primeira soja que entra, em janeiro e fevereiro, que costuma ter um preço razoável, um prêmio."

Como a colheita dos EUA começa a chegar ao mercado em setembro, se houver um grande volume de soja brasileira ainda disponível, pode haver volatilidade nos preços.

"Essa agonia vai se repetir em 2014 e 2015, pelo menos... Você acaba contaminando preços internacionais. Se o Brasil não tem condições de atender com a velocidade que seu cliente precisa, o preço sobe. Quem conseguir atender, conseguirá um preço mais alto".

O consultor falou com repórteres durante a apresentação dos resultados da expedição técnica Rally da Safra, que estimou uma colheita recorde de 84,4 milhões de toneladas de soja no Brasil este ano.

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