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Alpargatas compra a Dupé, de Pernambuco

Com aquisição, de R$ 50 milhões, empresa avança na região Nordeste

Patrícia Cançado, O Estadao de S.Paulo

22 de setembro de 2007 | 22h00

A São Paulo Alpargatas, dona da marca Havaianas, segue firme na sua estratégia de aquisições. Cinco meses depois de comprar o controle da Alpargatas na Argentina, a empresa do grupo Camargo Corrêa anunciou a aquisição da concorrente Dupé, terceira maior fabricante de chinelos de dedo do Brasil, com sede em Pernambuco. A empresa, que fatura R$ 90 milhões e emprega mil funcionários, foi vendida por R$ 50 milhões.Ao levar a rival, a Alpargatas quer ganhar escala e um passaporte para entrar onde a Dupé é forte. No caso, o emergente mercado do Nordeste. Em algumas praças da região, a participação da Dupé chega a 30%. No Brasil, ela é de 6%, ante 48% da Havaianas, segundo dados de 2006 da Latin Panel, do Ibope. "A malha de distribuição da Dupé é diferente da nossa, mais concentrada no pequeno e médio varejo. Com isso, vamos ganhar acesso a um mercado mais popular. Na média, o produto da Dupé é 10% mais barato que o nosso", diz o presidente da São Paulo Alpargatas, Márcio Utsch. Nos últimos cinco anos, a Alpargatas tentou comprar a Dupé algumas vezes. Os donos, os irmãos Tavares de Melo, sempre resistiram - até venderem as suas usinas de açúcar e álcool para o grupo francês Louis-Dreyfus, há três meses, por um valor estimado em US$ 500 milhões. Depois de abrir mão do maior negócio do conglomerado Tavares de Melo, os empresários resolveram reconsiderar a oferta da Alpargatas.As negociações começaram há cerca de três meses. A aquisição ainda passará pela chamada due diligence, a análise detalhada das finanças da empresa. "Estamos ficando mais maduros e nos apaixonando menos pelas empresas. A gente tem de deixar os negócios na vitrine", diz o diretor-presidente da Dupé, Romildo Tavares de Melo.Fundado em 1920, o grupo Tavares de Melo já foi dono da fábrica de sucos concentrados Maguary, hoje da americana Kraft, e sócio da Kibon na Sorvane, empresa de distribuição de sorvete no Nordeste vendida para a Unilever. "Eu sofri mesmo quando vendi a Maguary. Era o meu xodó, tinha 40% do mercado. Agora já estou vacinado", conta. Uma fábrica de saco de açúcar e farinha e uma distribuidora de combustível foram os únicos negócios que sobraram. "O grupo agora vai se concentrar em uma só atividade. Há vários consultores econômicos trabalhando para eles no momento", diz Rogério Lessa, presidente do escritório de advocacia Demarest & Almeida, que auxiliou o clã na venda das empresas.Romildo diz que ainda não sabe em que área o grupo investirá o dinheiro da venda das empresas. "O momento agora é de hibernar. O que eu sei é que não vou colocar mais a barriga do lado de dentro do balcão. Eu vou ser investidor, não gestor."?TAPAS E BEIJOS?A Dupé foi criada em 1992, trinta anos depois da Havaianas. Os donos, que diziam não entender nada de chinelos, foram buscar profissionais na empresa líder. O produto fabricado era parecido. Embora tenha uma produção seis vezes menor, a Dupé trouxe muita dor de cabeça aos executivos da Havaianas. A disputa entre as duas foi muito além das prateleiras das lojas e supermercados do País. Ela chegou à Justiça. Nos processos, a São Paulo Alpargatas questionava a semelhança estética de algumas sandálias da Dupé com a Havaianas. "Foi uma disputa de tapas e beijos, mas isso faz parte do jogo", diz Romildo. "Nossa relação sempre foi cordial. Mas uma relação cordial não pressupõe permissões para determinadas atitudes. Daí as ações na Justiça", diz Utsch. As duas empresas dizem que já entraram em acordo.

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