REUTERS/Dado Ruvic//File Photo
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Alta da Bitcoin pode ter sido motivada pelos próprios mineradores

Prêmio por mineração da criptomoeda cai a cada quatro anos e a próxima redução de lucratividade deve acontecer no segundo semestre

Renato Jakitas e Talita Nascimento, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2019 | 17h29
Atualizado 03 de abril de 2019 | 11h32

A Bitcoin chegou na madrugada desta terça-feira, 2, à marca de US$ 5,078 mil. A alta levou a cotação a um pico que não era atingido desde novembro de 2018 e os especialistas ainda tentam entender as razões para a subida inesperada da criptomoeda. Para Tatiana Revoredo, membro-fundadora da Oxford Blockchain Foundation e especialista em Blockchain pela Universidade de Oxford e pelo MIT, "o atual ciclo de alta do bitcoin pode ter sido iniciado artificialmente por quem 'produz' a criptomoeda na Internet, atividade conhecida por mineração", diz.

A explicação para isso é a queda de lucratividade da produção da Bitcoin prevista para acontecer em breve. A cada quatro anos, o algoritmo que criou a criptomoeda reduz pela metade o prêmio pela mineração. Hoje a recompensa para cada bloco minerado é de 12,5 bitcoins. Esse prêmio vai cair para 6,25 bitcoins em 23 de maio de 2020. O preço da unidade, porém, tende a subir cerca de um ano antes da mudança na recompensa.

O raciocínio é construído dessa maneira: uma vez que para produzir a mesma quantidade da moeda, será necessário mais mineração, os preços são puxados para cima, à medida em que a data da virada se aproxima. O fenômeno de mudança da 'taxa de mineração' é conhecido como 'block reward Halving' e, de acordo com fontes do mercado, muitas pessoas que investem na criptomoeda desconhecem esse acontecimento.

A próxima barreira

Tatiana Revoredo lembra que nessa madrugada foi vencida uma barreira psicológica de US$ 4,2 mil. Esse era um limite estabelecido desde a última alta da moeda. Para os investidores, uma vez que essa marca fosse atingida e passase a cair, seria a hora de abandonar suas posições, não arriscando assim mais perdas. No entanto, uma vez que a cotação seguiu em alta depois de ultrapassar o valor pré-determinado, foi estabelecida uma nova barreira. A nova meta é a de US$ 5,2 mil.

Para Daniel dos Santos Morais, gerente de controladoria do Bitcoin Banco, além da proximidade do 'halving', que é a razão mais lógica para a alta, existem outras duas razões estudadas que podem se desenrolar nos próximos dias, gerando um conjunto de fatores para a subida da moeda. Ele explica que é possível monitorar algumas grandes ordens que pressionam o preço mínimo de 2019 a ficar em US$ 5 mil, acima dos US$ 4,2 mil anteriormente previstos e já rompidos nesta madrugada.

Essas grandes ordens podem vir de uma companhia que detém as bitcoins da famosa exchange MTGox, empresa falida que foi uma das primeiras a comercializar a criptomoeda. De tempos em tempos, a companhia que administra a massa falida tem que vender partes dos seus U$S 6 mi em Bitcoins e, para isso, tenta disfarçar as operações em ofertas menores. Já que vendas massivas fariam o preço da moeda cair.

A outra possibilidade é de que grandes instituições estariam se preparando para a entrada da Bolsa de Nova Iorque em mercados futuros de Bitcoin. "Acredita-se que isso pode acontecer no segundo trimestre", diz Daniel. Uma vez que isso se concretizar, haverá uma alta de demanda pela criptomoeda e "algumas empresas podem estar montando posições para essa situação", afirma.

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