Alta da Bolsa atraiu investidores

Efeito das perdas não foi pior porque previdência privada ainda não tem um grande número de beneficiados

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

12 de janeiro de 2009 | 00h00

Nos últimos anos, a máxima segundo a qual o investimento em ações é o mais indicado para quem visa ao longo prazo levou milhares de brasileiros a aumentar a parcela de recursos destinados à aposentaria em fundos de renda variável. Em janeiro de 2006, a participação da renda variável no patrimônio dos fundos PGBL e VGBL era de 9,5%. O restante estava em produtos vinculados à renda fixa, segundo levantamento da consultoria NetQuant. Em junho de 2008, os porcentuais eram de, respectivamente, 29,4% e 70,6%. O aprofundamento da crise global freou essa migração e fez a parcela em ações recuar para 20,6%. Embora a captação líquida (resultado de saques e aportes) dos fundos de renda variável tenha sido positiva em R$ 2,2 bilhões em 2008, houve expressivo movimento de retirada no último bimestre do ano. Em novembro, saiu R$ 1 bilhão e, em dezembro, R$ 651,2 milhões. "As pessoas não estavam preparadas para o produto", diz Liao Yu Chieh, professor de finanças do Ibmec São Paulo. Segundo ele, além de perder dinheiro vendendo as ações em um momento de baixa, quem sacou recursos desses fundos pagou mais imposto do que se tivesse esperado. O regime tributário mais comum nesse tipo de investimento - regressivo - prevê uma alíquota de Imposto de Renda de 35% até o segundo ano a partir do início da aplicação. Do 10º ano para frente, paga-se 10%. O sistema de previdência privada aberta ganhou força no Brasil a partir de 1998, quando a legislação passou a regulamentar o Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL) - em 2001, foi a vez do Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL), indicado para as pessoas que fazem declaração de IR simplificada. Portanto, a maioria absoluta dos brasileiros detentores desses planos ainda não está em idade de se aposentar. É uma situação bem mais confortável que a de milhões de americanos, que tiveram de adiar a aposentadoria por causa da expressiva desvalorização das ações em 2008. "Nos EUA, aposentadoria é sinônimo de ações. Aqui no Brasil, mercado acionário é visto como de risco", observa Liao. O vice-presidente da Federação Nacional de Previdência Privada e Vida (Fenaprevi), Renato Russo, afirma que, justamente por isso, a crise afetou muito pouco o mercado brasileiro. Segundo ele, o setor - que tem um patrimônio próximo de R$ 137 bilhões - desacelerou a expansão no ano passado para cerca de 15% porque vinha crescendo em ritmo muito forte."Nos anos anteriores, avançamos acima de 20%", diz. Para 2009, ele ainda vê incerteza, o que deve levar a uma expansão entre 10% e 15%.NÚMEROS9,5%era a parcela de renda variável no patrimônio dos fundos PGBL e VGBL em janeiro de 200629,4%era a parcela de renda variável no patrimônios desses mesmos fundos em junho de 2008, caindo para 20,6% após o agravamento da crise global

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