Alta da Bolsa é a maior em 2 meses

Puxado pelas ações da Vale e da Petrobrás, Ibovespa avança 3,37%; no ano, indicador ainda cai 6,09%

Leandro Modé, O Estadao de S.Paulo

31 de julho de 2008 | 00h00

O Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) registrou ontem a maior alta desde 5 de junho, apoiado na valorização do petróleo no exterior e em novas ações das autoridades americanas para acalmar o mercado financeiro. O indicador subiu 3,37%, com destaque para os papéis da Petrobrás e da Vale. Em julho, porém, o Ibovespa ainda perde 7,7% e, no ano, 6,09%. O barril de petróleo para entrega em setembro avançou 3,75% na Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex, em inglês), depois que o Departamento de Energia dos Estados Unidos divulgou uma queda expressiva nos estoques de gasolina e petróleo bruto do país na última semana. Com isso, as ações ordinárias (ON) da Petrobrás se valorizaram 4,87% e as preferenciais (PN), 4,89%. A Vale beneficiou-se da elevação de seu rating (nota) de longo prazo pela agência de classificação de risco Standard & Poor?s (S&P). As ações ordinárias da mineradora dispararam 6,77% e as PNA, 6,69%. O economista-chefe da Bradesco Corretora, Dalton Gardiman, acrescentou outro fator para explicar a consistente alta do Ibovespa ontem. A Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos, conhecida pela sigla SEC, ampliou o prazo de restrições com negócios envolvendo ações de 19 empresas do setor financeiro americano. Ao menos até o dia 12 de agosto, os investidores continuarão impedidos de fazer um tipo de operação chamada de venda a descoberto. A medida, segundo Gardiman, funciona como uma espécie de seguro antiqueda das cotações desses papéis, o que acalma, ao menos momentaneamente, o mercado. Outra medida bem recebida foi a decisão do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) de ampliar de setembro para 30 de janeiro de 2009 o prazo para que bancos de investimento tenham acesso a empréstimos na chamada janela de redesconto. Originalmente, essas instituições não têm direito a esse crédito. Como esses bancos têm sido foco de rumores de quebra, a ação do Fed também ajuda a acalmar os investidores. Gardiman entende que a correção no mercado acionário brasileiro vinha ocorrendo de forma "muito rápida". "Se houve alguma informação nova sobre a economia brasileira (nas últimas semanas), ela foi positiva", disse, referindo-se à decisão do Banco Central de elevar de 0,5 para 0,75 ponto porcentual o ritmo de alta da taxa básica de juros. Para Gardiman, isso indica que o ciclo de alta da Selic será mais curto do que se esperava, o que é positivo para a atividade. O economista não faz projeções para o Ibovespa no fim do ano, mas avalia que o mercado acionário tem força suficiente para bater a rentabilidade da renda fixa daqui até dezembro.

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