Alta da gasolina reforçará cautela do BC na decisão sobre juros

A expectativa de inflação maior neste mês e no próximo, por conta do aumento dos combustíveis, ratificou a prognóstico do mercado de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central irá decidir hoje pela manutenção dos juros básicos (Selic) em 16% ao ano nos próximos 30 dias. O mercado já trabalhava esse cenário antes mesmo de a Petrobras anunciar, segunda-feira, reajustes no preço da gasolina e do diesel porque levava em conta a expectativa de alta do juro nos Estados Unidos e o nível ainda elevado da cotação do petróleo. O ex-presidente do BC Gustavo Loyola acha que não há espaço para o Copom reduzir a Selic hoje. Segundo ele, além de considerar os riscos inflacionários, o Copom deverá manter os juros até por uma questão de coerência. "O índice de inflação no atacado está muito alto e o câmbio, mais pressionado. Também não seria coerente reduzir agora, já que o BC manteve a taxa no mês passado, quando as condições eram mais favoráveis." Já o economista da Universidade de São Paulo Heron do Carmo acredita que o Copom poderia cortar a Selic em 0,25 ponto porcentual agora. Mas ressalva que muito provavelmente essa não será a decisão da autoridade monetária.Segundo ele, o BC não vai cortar o juro agora porque a inflação acumulada em 12 meses irá aumentar. Carmo argumenta que índices muito baixos, como os de junho e julho de 2003 do IPC-Fipe, que registraram deflação de 0,16% e 0,08%, respectivamente, darão lugar a indicadores positivos neste ano e puxarão para cima o índice em 12 meses. OusadiaCarmo lembra que a crise que impediu o corte da Selic em maio se deu em função da expectativa em torno dos aumentos de juros nos EUA e do preço do barril de petróleo no mercado internacional. "Mas o próprio Alan Greenspan (presidente do Fed, o BC dos EUA) já disse que o aumento dos juros americanos será gradual. Do lado do petróleo, o preço já está se arrefecendo."Por conta disso, o economista acha que o BC poderia ser mais ousado porque as recentes altas mostradas pelos indicadores de preços ao consumidor têm sido provocadas pelos hortifrutigranjeiros, que sobem e descem com facilidade. "Vamos torcer para que a alta dos combustíveis não altere uma tendência de baixa dos juros", disse o ministro do Planejamento, Guido Mantega. Na sua opinião, serão levados em consideração vários elementos, não só o preço da gasolina.

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