Alta da inadimplência é considerada sazonal

Os índices de inadimplência registraram um aumento no início do ano em relação a dezembro, mas não indicam uma tendência de crescimento acentuado ou um descontrole do consumidor, conforme levantamento, com base em dados do Banco Central (BC), realizado pela Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). "Não há justificativa para as empresas elevarem taxas de juros por causa deste aumento, que é sazonal", diz o vice-presidente da Anefac, Miguel José Ribeiro de Oliveira.Nos atrasos acima de 90 dias, considerados como perdas, a média geral de inadimplência - incluindo o cheque especial, crédito pessoal e a aquisição de bens e veículos - subiu de 3,7% em dezembro para 3,8% em janeiro. Nos atrasos entre 15 e 30 dias, o índice passou de 2,4% para 2,7% e nos atrasos entre 31 e 90 dias não houve alteração.A expectativa é de que a inadimplência continue em alta até o mês que vem, como ocorre todo o ano, devido a um acúmulo de dívidas do consumidor nesta época. "É comum o atraso nos pagamentos por causa de compras de Natal feitas com cheques pré-datados ou cartão de crédito e de outras despesas com IPVA, IPTU, matrículas e material escolar", diz Ribeiro de Oliveira.Na sua avaliação o consumidor tende a adiar o pagamento da dívida neste período do ano, mas em seguida volta a regularizar sua situação. Na média geral de pessoas físicas, o índice de pagamentos sem atraso recuou de 91,1% para 90,7% em janeiro com relação a dezembro e os atrasos entre 15 e 30 dias subiram de 2,4% para 2,7%.A modalidade com maior aumento de inadimplência é o crédito pessoal, onde o pagamento sem atraso caiu de 90,2% em dezembro para 88,9% em janeiro. O índice de atrasos superior a 90 dias subiu de 4,7% para 5,4% no mesmo período e os atrasos entre 15 e 30 dias de 2,2% para 2,7%. "Há um aumento porque os juros do crédito pessoal são mais altos e o consumidor empresta para pagar financiamentos de bens", explica Oliveira. No crediário para compra de bens, ressalta, o índice de inadimplência nos atrasos de 15 a 30 dias passou de 3,5% em dezembro para para 4,4% em janeiro. Já nas dívidas pendentes há mais tempo não houve atrasos, o que segundo o vice-presidente da Anefac mostra que a dificuldade do consumidor é típica do aperto de fim de ano. Oliveira observa também que é preciso considerar o crescimento dos financiamentos. No segmento para pessoas físicas, o crédito cresceu 113,8% no período de dezembro de 1999 a dezembro de 2000, passando de R$ 19,5 milhões para R$ 41,7 milhões.

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