Alta da inadimplência não assusta analistas

Dados da Associação Comercial de São Paulo (ACSP) revelam que o número de registros novos no Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC) cresceu 25% sobre o total de novembro de 1999 e 16,5% em relação a outubro desse ano, conforme apuração de Nívea Vargas. Já o número de registros cancelados aumentou 13% em relação a novembro do ano passado e 16% na comparação com outubro de 2000.De acordo com Marceo Solimeo, superintendente da ACSP, essa alta não é preocupante, pois não indica uma tendência para a inadimplência nos próximos meses. "Em dezembro, quando o dinheiro referente ao 13.º salário estiver, de fato, na economia, os índices poderão recuar". O economista-chefe do Citibank, Carlos Kawall, concorda e explica a alta da inadimplência no mês passado: "Esse cenário é resultado da combinação do aumento da inflação e a permanência das taxas de juros em patamares elevados". Apesar de não preocupar, os índices de inadimplência merecem ficar sob observação na opinião de Solimeo. Isso porque há uma expectativa de que, no primeiro trimestre do próximo ano, as taxas de inadimplência poderão subir novamente. "Espera-se uma elevação entre março e abril de 2001, com a entrada de novos registros referentes às compras a prazo de Natal", prevê Solimeo. TendênciasCaroline Silveira, economista da Tendência Consultoria prepara mensalmente um estudo sobre a inadimplência líquida. Por esse método, desconta-se dos registros recebidos (devedores novos) os registros cancelados. O resultado dessa diferença é dividido pelo total de consultas ao Serviço Central de Proteção ao Crédito (SCPC). No mês de novembro esse número ficou em 6,6%, contra 6% registrado em outubro.A economista explica que essa tendência de alta da inadimplência deve recuar até o final do ano. Isso porque a massa salarial - rendimento real x número de ocupados - está se recuperando. "O choque inflacionário de julho e agosto provocou uma perda real de renda das famílias em outubro e novembro. Em dezembro acredito que a inadimplência deve recuar, pois as pessoas começarão a quitar as suas dívidas".

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