Alta da inflação decorre de choques de oferta, diz Mantega

Para o ministro da Fazenda, problemas na oferta de alimentos e metais são responsáveis pela alta dos preços

Fabio Graner, da Agência Estado,

08 de maio de 2008 | 12h29

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta quinta-feira, 8, à Agência Estado que a alta da inflação no Brasil é decorrente de choques de oferta, basicamente de alimentos (soja, trigo, milho, arroz) e de insumos metálicos, como o aço. Diante dessa avaliação, Mantega destaca que a banda de tolerância da meta de inflação de 4,5% foi feita para acomodar choques dessa natureza.  Veja também: Especial: Entenda a crise dos alimentos Alimentos levam a alta de prévia da inflação em maio Alimentos pressionam e IGP-DI acelera para 1,12% em abril "A banda da meta foi feita justamente para choques de oferta. São fatores que fogem ao nosso controle. Os preços da economia brasileira, os preços estruturais, industriais, de serviços, etc, estão tendo comportamento normal e estão abaixo do centro da meta. Excluindo alimentos, nós estamos com inflação abaixo de 3%", afirmou. O ministro destacou que diante da alta de produtos no mercado internacional, o governo tem muito pouco a fazer para reduzir esses preços. "O que podemos fazer é trabalhar para aumentar a oferta e tentar diminuir um pouco os preços. Mas é complicado", disse Mantega.  Segundo ele, essa elevação da oferta é feita por meio de uma política de preços mínimos (que garante ao produtor uma renda quando os preços internacionais caírem), de melhora nas condições de financiamento, redução dos custos de logística, transporte, áreas que serão atacadas no pacote agrícola que o governo está estudando. Mantega evitou dizer se sua análise de que não há inflação de demanda e que o problema é de choques de oferta que podem ser acomodados na banda superior da meta quer dizer que não há necessidade de alta nos juros. "Essa é uma conclusão sua. Os juros reduzem demanda. Mas isso você tem que perguntar ao BC", concluiu.

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