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Alta da inflação deve reduzir corte dos juros

IPCA-15 sobe 0,42% em agosto pressionado pelo grupo alimentação

Alberto Komatsu, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2024 | 00h00

A alta de 0,42% do Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15), prévia para a inflação de agosto do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), indica que o Banco Central (BC) deve reduzir o ritmo de queda da taxa de juros básica (Selic, hoje em 11,5%) a partir de setembro, de acordo com economistas. A taxa ficou bem acima da de 0,24% de julho e das expectativas de analistas.O economista da LCA Consultores, Raphael Castro, avalia que o IPCA-15 divulgado ontem reforça a tendência de o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir a Selic em 0,25 ponto porcentual em setembro, em vez de 0,50 ponto. Essa percepção, lembra ele, já havia ficado mais evidente com a queda das bolsas na semana passada.''''O resultado aumenta a deterioração das expectativas de inflação para o fim do ano, que deve se situar em 3,9%'''', diz Castro. A última pesquisa Focus, do BC, mostrava uma expectativa de custo de vida de 3,77% para 2007.A economista-chefe do ABN Amro no Brasil, Zeina Latif, acredita numa pausa na queda da Selic a partir de outubro. ''''A deterioração nos preços de mercado no IPCA-15 de agosto foi mais generalizada nos setores mais sensíveis à demanda doméstica'''', afirma ela.A grande surpresa no IPCA-15, segundo o economista Rodrigo Eboli, da Mellon Global Investiments, veio do grupo alimentação, com alta de 1,61% de 16 de julho a 15 de agosto, ante previsão de 1,26% feita pela instituição. ''''Só o segmento leite e derivados respondeu por 0,23 ponto porcentual da variação de 0,42% do índice pleno'''', disse Eboli.No grupo alimentação, segundo o IBGE, leite e derivados tiveram alta de 10,62%. Já o leite pasteurizado, em período de entressafra, registrou aumento de 13,91%. Outros produtos lácteos também ficaram mais caros, como leite em pó (9,85%), queijo (6,02%) e iogurte (5,31%).De acordo com Eboli, a pressão de alta nos alimentos é um problema estrutural, já que o mundo inteiro está passando por esse cenário.''''Os preços dos alimentos foram mais uma vez a principal fonte de surpresa na inflação'''', avalia relatório do Citibank enviado ontem a clientes. De acordo com o documento, a expectativa de inflação para o fim do mês, atualmente em 0,30%, será revisada. COLABORARAM JOÃO CAMINOTO, FRANCISCO CARLOS DE ASSIS E FLAVIO LEONEL

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