Tiago Queiroz/Estadão
Tiago Queiroz/Estadão

Alta da Selic de 0,50 ponto é quase unanimidade entre analistas

Das 78 instituições consultadas pela 'Agência Estado', 73 esperam por juros elevados a 12,75% na reunião do Copom desta quarta

Maria Regina Silva, Flavio Leonel, Denise Abarca, Agência Estado

04 de março de 2015 | 09h04

A taxa Selic deve ser ajustada em 0,50 ponto porcentual e passar para 12,75% no encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) desta quarta-feira, 4, de acordo com a grande maioria das expectativas da pesquisa do AE Projeções, serviço da Agência Estado. De um total de 78 participantes, 73 vêem os juros subindo 0,50 ponto, enquanto cinco esperam alta de 0,25 ponto porcentual, com a taxa indo a 12,50% ao ano na reunião que começou há um dia e termina nesta noite.

O levantamento atual está em sintonia com a sondagem parcial divulgada na segunda-feira (23), que contou com 44 instituições, sendo que 39 aguardavam a Selic indo para 12,75% neste encontro e apenas cinco acreditando em alta para 12,50%. Deste montante, duas casas alteraram, na sequência, suas expectativas, de um aumento de 0,25 ponto para 0,50 ponto porcentual na decisão do Copom do terceiro mês de 2015.


Ainda que a atividade não mostre sinais de melhora à frente, a maioria dos economistas acredita que o Banco Central (BC) optará por continuar subindo os juros em 0,50 ponto porcentual, a fim de conter as expectativas inflacionárias, que parecem não querer dar trégua neste momento em que a depreciação cambial persiste.

Para esta corrente, tal percepção ganhou força nas palavras do diretor de Política Econômica, Luiz Awazu Pereira da Silva, em suas primeiras aparições com o novo cargo. Considerado por muitos no mercado de postura um pouco mais suave, a autoridade monetária foi enfática ao afirmar que o BC deve ser "especialmente vigilante" e que não será "complacente" com a escalada dos preços, dando a entender que o BC realmente acredita na convergência para o centro da meta de 4,50%.

Mesmo com pressão inflacionária, muitos analistas da ala que vê os juros saindo de 12,25% para 12,50% nesta reunião afirmam que a atividade enfraquecida não corrobora um aumento maior e que é preciso esperar os efeitos do atual aperto monetário se fazerem presentes sobre a economia.

De acordo com o sócio gestor da Leme Investimentos, Paulo Petrassi, a pressão inflacionária e a alta do dólar reforçam a percepção de novo aumento de 0,50 ponto porcentual na taxa Selic no encontro do Copom de março. "A inflação deve fechar o primeiro trimestre na faixa de 3,00%. É um nível muito elevado para uma meta que é de 4,50%. A inflação alta surpreendeu o Banco Central", avaliou.

Para o economista-chefe da SulAmérica Investimentos, Newton Camargo Rosa, além da inflação salgada neste início do ano, a depreciação cambial, que levou a cotação do dólar para um nível que se esperava apenas para o final de 2015, devem fazer com que o BC suba os juros para 12,75% neste encontro do Copom. "O discurso do Awazu também foi muito enfático em relação à convergência da inflação para 4,5% em 2016", afirmou.

Na opinião de Camargo Rosa, a desvalorização do câmbio e a pressão inflacionária mais forte nos três primeiros meses de 2015 deverão fazer com que o Banco Central eleve os juros até 13,00% este ano. "Com juro real excessivamente elevado, na faixa de 6,50%, a atividade fraca e uma política monetária e fiscal contracionistas, o BC não precisaria subir mais os juros", analisou. Segundo ele, nesse cenário, os efeitos de alta do dólar e dos preços administrados seriam mitigados e o Copom conseguiria ancorar as expectativas para baixo.

"O aumento das expectativas de inflação, devido à rápida depreciação do real em relação ao mês passado, deve levar o BC a subir em 0,50 ponto porcentual a taxa Selic, e uma outra alta de 0,25 ponto em abril, com o ciclo de aperto terminando em 13,00%", reforçou o economista Bruno Rovai, do Barclays, em Nova York.

Como o juro real já está alto, Fábio Silveira, diretor de pesquisa econômica da GO Associados, acredita que a Selic subirá menos nesta reunião, para 12,50%. "Se subir mais do que isso, mergulha o País numa recessão econômica indesejável", afirmou.

Na opinião de Silveira, o Banco Central deve elevar a taxa em 0,25 ponto porcentual e suspender a alta nesse nível, a fim de avaliar os efeitos cumulativos do aperto monetário. Segundo ele, o impacto do aumento dos juros já está começando a se refletir sobre o mercado de trabalho, mas é um processo que irá se desenrolar ao longo do ano. A expectativa, disse, é que a influência desse aperto passe a ser percebida sobre a atividade e a inflação de serviços mais à frente. "Os preços de serviços subiram muito nos últimos anos e podem devolver um pouco dessa alta por meio do emprego. Mediante o ajuste dos juros, deve ter esfriamento dos salários, que estão sendo repassado para serviços e outros bens", avaliou.

Apesar de concordar que a inflação fechará os três primeiros meses do ano em patamar expressivo, o presidente do BRP (Banco Ribeirão Preto), Nelson Rocha Augusto, acredita que os preços poderão dar algum alívio no segundo trimestre, o que justificaria um aumento da Selic para 12,50% na reunião de março, com a taxa estacionando neste patamar até o final de 2015.

Com expectativa de desaceleração importante da inflação entre abril e junho, Rocha Augusto prevê crescimento da confiança e um quadro não tão adverso da atividade, o que também reforça a percepção de alta de 0,25 ponto da Selic. "Podemos ter surpresas importantes do ponto de vista inflacionário no próximo (segundo) trimestre e eventual melhora da economia. Tem ainda os efeitos cumulativos do aumento dos juros, cenário internacional benéfico do ponto de vista da inflação e perspectiva de safra de grãos forte no Brasil", enumerou. 

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