Alta da Selic poderá reduzir prazo dos financiamentos

As incertezas trazidas pela reversão da trajetória de queda da taxa de juros básica (Selic) podem causar uma redução nos prazos dos crediários oferecidos no varejo. A afirmação é do superintendente do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV) da Associação Comercial de São Paulo (ACSP), Marcel Solimeo, durante palestra proferida no Fórum Nacional de Crédito.De acordo com o economista, o movimento de alongamento dos prazos para pagamentos de compras parceladas no varejo já parou e, caso Selic seja elevada em mais de 0,5 ponto porcentual até o fim do ano, pode se reverter num encurtamento de prazos. "Isso vai causar um impacto nas vendas porque o que mais importa para o cliente é o valor da parcela e não taxa de juros", diz.Solimeo, que não vê razão sólida para que o Comitê de Política Monetária (Copom) tenha revertido a trajetória de queda da Selic, acredita que uma alta acima de 0,5 ponto nas próximas duas reuniões Copom seria danosa tanto para o comércio quanto para o crédito disponível no varejo. "Se o Comitê promover duas altas de 0,25 ponto porcentual até o fim do ano, as vendas do varejo não sofrem alteração neste ano".A crença do economista se baseia nas expectativas de melhora na renda média até o fim do semestre. "Os dados que temos mostram que nos próximos dois trimestres devemos experimentar uma alta da renda, o que vai estimular ainda mais a concessão de crédito a pessoa física".IncertezasO superintendente do IEGV afirmou que a incerteza já tomou conta do comércio, que deve reduzir o ritmo dos pedidos a indústria já no início de 2005. "O comércio formou estoques porque acreditava numa queda continuada da Selic, mas se isso não aconteceu deve haver um impacto razoável nos novos pedidos para o próximo ano", disse. Para ele, uma elevação da Selic maior que 0,25% na reunião do Copom desta semana pode ser desastrosa para o comércio.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.