Alta da Selic reforça apostas em títulos de inflação

Alta da Selic para 11,25%, anunciada na primeira reunião do Copom, dá início a um ciclo de alta do juro indeterminado 

Yolanda Fordelone, do Economia & Negócios,

19 de janeiro de 2011 | 20h41

O término da reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) nesta quarta-feira, 19, e a decisão de elevar o juro básico (Selic) em 0,50 ponto porcentual, para especialistas, marca o início de um ciclo de alta da taxa que ninguém sabe quanto deve perdurar. Para alguns, esse início do ciclo já está inclusive atrasado, o que reforça a indicação de investimentos em títulos pós-fixados atrelados à inflação, cujo risco é menor. Com a decisão de hoje do Copom, o juro báscio passa a ser de 11,25%.

"O BC está atuando de forma atrasada", diz o economista da WinTrade, José Góes. "Como o juro está um pouco atrás da curva do juro futuro, há uma chance de a inflação pressionar mais do que o esperado. Por isso a indicação em títulos pós-fixados", explica.

Para não correr o risco de a inflação superar o que os especialistas esperam (de 5,42% no IPCA deste ano segundo a última pesquisa Focus), especialistas tem sugerido papéis que de alguma forma protejam o poder de consumo dos investidores.

"Enquanto estivermos no ciclo de alta, os papéis pós-fixados têm maior atratividade", diz o professor da FIAP, Cláudio J. Carvajal Júnior, ao lembrar que atualmente os juros pagos nos títulos ofertados pelo Tesouro Direto estão altos. Segundo dados desta quarta-feira, os títulos de inflação ofertados pelo site do governo tinham rentabilidade entre 5,61% a 6,29% ao ano, dependendo do vencimento, mais variação do IPCA.

Há ainda a opções de aplicar por meio de fundos. Segundo levantamento no site da Anbima, atualmente há 59 fundos de renda fixa de índices.

"O ideal seria controlar a inflação pelo ajuste fiscal, mas não é um processo tão rápido", afirma o responsável pela área de renda fixa da Queluz Asset, Luiz Augusto Monteiro. "Em todo caso, um aperto monetário tem o lado positivo de controlar a inflação, porque sem nenhuma medida ela iria começar a avançar cada vez mais."

Segundo especialistas, parte da carteira também pode estar em papéis pós-fixados que seguem a Selic. No Tesouro Direto, eles são negociados há pouco mais de R$ 4.500, mas o investidor pode comprar frações de 20% desse valor, ou seja, cerca de R$ 900.

"A renda fixa de maneira geral fica mias atraente. Os papéis prefixados já embutem essa alta do juro, mas o risco é maior", diz Carvajal. No Tesouro Direto, os pré são negociados com juro entre 12,50% e 12,77% ao ano, dependendo do vencimento.

"Montaria uma carteira com 40% em pós de inflação, 40% em pós de SeliC e 20% em prefixados", sugere Góes.

Dólar e Bovespa

Para o dólar e a Bolsa de Valores de São Paulo, o impacto deve ser menor. Como esse primeiro aumento do juro já era amplamente esperado pelo mercado, não deve haver grandes mudanças de perspectiva. "Deve continuar havendo fluxo positivo de dólares pro País, como já está ocorrendo", afirma Carvajal. Góes, da WinTrade, acredita que a moeda norte-americana irá fechar 2011 na faixa entre R$ 1,65 e R$ 1,70.

"O crédito ficará mais caro para as empresas da Bolsa", diz Carvajal, ao avaliar como a alta do juro impactaria a Bovespa. Nenhum especialista consultado, porém, acredita que possa haver uma grande migração entre os investimentos, da renda variável para a renda fixa. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.