Alta da Selic reforça sinal de condução mais ortodoxa da economia

Não é exatamente o risco de a inflação superar o teto da meta que deve ter levado o Copom a confirmar a onda de apostas em elevações mais fortes da taxa básica de juros, no atual ciclo de alta. Na política monetária, há defasagens entre os atos e os fatos, e, assim, a decisão de ontem só terá impactos em 2015.

José Paulo Kupfer, O Estado de S.Paulo

04 Dezembro 2014 | 02h02

Elevar os juros básicos em 0,5 ponto também não parece algo muito sintonizada com a clara indicação de que o reequilíbrio das contas públicas será prioridade da nova equipe econômica, sem falar do estado de estagnação da economia. A austeridade anunciada, pelo menos em tese, poderia exigir menos da política de juros.

Restam, no campo mais técnico, os efeitos do câmbio na trajetória da inflação. A tendência do momento é de desvalorização do real ante o dólar e elevar juros opera tanto para conter pressões inflacionárias quanto para evitar altas mais acentuadas da moeda americana.

Ocorre que nem só de variáveis técnicas vive a política econômica. A elevação atende a declarações do presidente reconduzido do BC, Alexandre Tombini, na direção de maior rigor na busca do centro da meta de inflação. Segundo o mercado, a alta de dezembro seria seguida de outra de 0,5 ponto, em janeiro, e mais uma, em março, de 0,25 ponto, fechando o ciclo em 12,5%. Mas agora, com a "parcimônia" mencionada no comunicado, talvez a sequência seja abrandada. A alta maior nos juros básicos é, antes de tudo, mais um sinal de que a política econômica mudará e será mais ortodoxa.

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