Alta da Selic tinha que ter começado em dezembro

José Márcio Camargo, ECONOMISTA

Fernando Dantas, O Estado de S.Paulo

21 de janeiro de 2011 | 00h00

José Márcio Camargo, economista da Opus e professor da PUC-Rio, acha que o mercado sinaliza alta total da Selic superior à 1,5 ponto porcentual em 2010.

Como o sr. viu a decisão do Copom da quarta-feira?

Ela já era esperada. Eu acho que o Copom deveria ter iniciado a alta em dezembro do ano passado. Como ele não fez, as expectativas de inflação aumentaram nos últimos 45 dias, e hoje estão bem acima do centro da meta para 2011.

Mas o sr. aprovou a alta?

Eu preferia que o Banco Central tivesse surpreendido o mercado e elevado 0,75 ponto, em vez de 0,5. O mercado está claramente duvidando que um aumento de 1,5 ponto da Selic, que é mais ou menos o que os economistas estão prevendo, seja suficiente.

Mas os economistas não são parte do mercado?

Eu me refiro as taxas de juros de prazo longo, que são formadas pelos agentes do mercado. Elas estão indicando, ao subir, que essa alta prevista não vai ser suficiente.

E por que isso acontece?

Existem ainda uma série de dúvidas quanto à determinação do Banco Central em buscar o centro da meta num espaço de dois anos. E dúvidas quanto à capacidade de o governo fazer um ajuste fiscal mais forte, para gerar um superávit primário mais próximo de 3% do PIB do que de 2%. Acho que o BC daria um sinal claro de que iria buscar a meta se tivesse dado um aumento de 0,75 ponto porcentual.

Como o sr vê a política monetária daqui para a frente?

Uma parte do problema é excesso de liquidez internacional, que está fazendo os preços das commodities explodirem. O Brasil já está sentindo essa pressão, e o BC terá de combatê-la. Com a indústria pressionando para que o governo tente evitar a valorização do câmbio, que também ajudaria a segurar a inflação, acho que está ficando mais difícil para o BC reverter a trajetória de inflação com uma alta total de 1,5 ponto porcentual, que ainda prevejo.

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