Alta de 0,3% na produção industrial é "razoável", diz IBGE

O crescimento acumulado de 0,3% na produção industrial em 2003 ante o ano anterior foi considerado "super modesto" pelo coordenador de indústria do IBGE, Silvio Sales. "É um crescimento muito modesto, mas dadas as circunstâncias que a economia brasileira atravessou no ano passado, com retração da demanda doméstica, é razoável um crescimento de 0,3%", disse. Sales acrescentou que o baixo crescimento da produção foi "o preço que se pagou" pelo controle da inflação. Ele destacou a recuperação da produção no final do ano, já que o trimestre encerrado em dezembro apresentou nível de produção 5,7% superior ao trimestre encerrado em junho. "Se na média do ano o crescimento foi modesto, o final do ano apresentou um patamar de produção bem superior à média anual, e isso pode ser uma indicação para o início de 2004", disse.?Queda de 1% em dezembro não é inflexão?O coordenador disse que a queda de 1% na produção industrial em dezembro do ano passado ante novembro do mesmo ano "não é uma inflexão" no processo de recuperação do setor, iniciado em julho de 2003. "O resultado não significa que a indústria pode estar entrando em fase de reversão da recuperação, porque a queda ocorreu após um período razoável de crescimento e pode ser um sinal de que as empresas estão olhando os estoques para fazer planos em relação à produção", disse Sales.RendaA queda na renda dos trabalhadores inibiu a produção dos bens de consumo semi e não duráveis em 2003, que por sua vez representaram o principal impacto negativo para a produção industrial no ano (0,3%). Os não duráveis tiveram queda acumulada de 5,5% no ano e foi o único segmento a apresentar no segundo semestre um resultado pior do que o registrado no primeiro semestre. Na comparação com iguais semestres de 2002, a indústria em geral apresentou queda de 0,1% na produção no primeiro semestre e aumento de 0,7% no segundo semestre.Em termos das categorias de uso, os piores resultados foram de não duráveis, de -4,9% no primeiro semestre e -6% no segundo semestre. Os bens intermediários apresentaram, respectivamente, crescimentos de 1,4% e 1,9% e os bens de capital, variações de -1,9% no primeiro semestre e 3,9% no segundo. "O que mudou na indústria do primeiro para o segundo semestre é que houve uma reação do mercado interno rebatendo nos bens de consumo duráveis e em bens de capital", disse o coordenador de Indústria do IBGE, Silvio Sales.

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