Alta de 11,36% nas vendas do comércio é recorde

A alta de 11,36% no volume de vendas do comércio varejista em março, ante o mesmo mês do ano passado,foi a maior da série histórica da Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), com abrangência nacional, iniciada em 2000. Porém, segundo o economista da área de Comércio do IBGE, Nilo Lopes Macedo, a utilização de uma base de comparação muito baixa, referente ao ano passado, ajudou na formação da taxa recorde. "O patamar da taxa foi meio exagerado. Mas ainda assim, o cenário do comércio este ano é muito positivo, em comparação com o do ano passado", afirmou o economista. Ele lembrou que o comércio varejista vem apresentando taxas positivas desde o início de 2004, com elevações no volume de vendas, ante igual mês do ano passado, em janeiro (5,98%) e fevereiro (5,02%), além de já traçar trajetória positiva a partir de dezembro do ano passado (3,21%).O economista não quis responder se as taxas crescentes podem conduzir a um crescimento sustentável nas vendas do comércio varejista brasileiro. "Mas não há nada, até o momento, que indique piora de cenário e impeça o comércio de continuar a apresentar taxas positivas", disse. Sobre a base de comparação baixa, referente ao ano passado, o técnico explicou que em março de 2003, o comércio varejista apresentou queda de 11,35%, o pior resultado de toda a série histórica. O resultado foi influenciado pelo fato de que, no ano passado, o Carnaval caiu em março, o que reduziu o número de dias úteis do comércio naquele mês. Além disso, o técnico do IBGE considerou que, de uma maneira geral, o cenário do varejo era muito ruim no primeiro trimestre do ano passado, com taxas de juros maiores, em comparação com as de 2004; incerteza econômica com a entrada de um novo governo; e inflação em níveis mais elevados do que os registrados neste ano. Juro menor e mais créditoTaxas de juros menores e maior oferta de linhas de crédito levaram à alta de 36,57% no volume de vendas de móveis e eletrodomésticos em março, ante março do ano passado, segundo Macedo. "Também ainda existe uma demanda reprimida, desde a época do racionamento (em 2001), na compra de eletroeletrônicos", acrescentou. Para o técnico, de uma maneira geral, "um cenário mais otimista" no comércio, em comparação com o ano passado, contribuiu para as elevações no volume de vendas de todos os setores. As taxas de juros mais baixas e o maior volume de financiamentos também influenciaram positivamente o resultado de Veículos, Motos e Peças, que teve alta de 32,03% em seu volume de vendas ante março de 2003. Já o setor de Tecidos, Vestuário e Calçados (alta de 7,33% ante março de 2003) também foi contagiado pelo otimismo no comércio. Ele explicou ainda que, no caso de Combustíveis e Lubrificantes (elevação de 11,46% ante março do ano passado), houve um aumento nas vendas devido ao fato deste setor estar praticando preços menores do que os registrados no ano passado. Já o setor de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo (avanço de 4,42% ante março de 2003) foi o que apresentou menor patamar de elevação, entre os setores que compõem o comércio varejista. "Este setor é o que mais custa a se recuperar", afirmou.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.