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Alta de alimentos e juro é limitada em ações do varejo

Banco Central sugeriu em sua última ata, divulgada nesta quinta-feira, que o aperto continuará neste ano

VANESSA STELZER, REUTERS

12 de junho de 2008 | 13h21

A alta dos juros em curso no Brasil eos maiores preços de alimentos têm um impacto negativo de curtoprazo sobre as empresas de varejo, mas a continuidade docrescimento da economia e a base sólida das companhias sãofatores que poderão reverter quedas recentes das ações emantendo esses papéis como investimentos a serem consideradosneste ano, segundo analistas. As ações da B2W acumulam queda de 0,1 por cento desde abril--mês do primeiro aumento neste ano do juro básico do país--até quarta-feira. Em junho, quando o Banco Central fez asegunda alta, o recuo é de 13,8 por cento. As da LojasAmericanas recuaram desde abril 18,4 por cento e 5 por centoneste mês. Os papéis da Renner têm alta de 3,9 por cento desde abril equeda de 2,5 por cento em junho. Já as ações da Saraivaacumulam alta em ambas as medidas. Os papéis do Pão de Açúcar perderam quase 1 por cento desdeabril, época em que as altas dos alimentos começaram a impactara inflação com mais força. "O mercado vai por impulso. Tem um acontecimento negativo eele derruba as ações, mas depois que a empresa anunciaresultados (trimestrais) e eles continuam bons, o papel volta asubir", disse Peter Ping Ho, analista da Planner Corretora. Ho descarta uma deterioração no resultado do Pão de Açúcarem decorrência do aumento dos preços de alimentação, um dosprincipais produtos do maior grupo de supermercados listado nabolsa. "E se houve alguma queda em volume (de vendas dealimentos), pode até aumentar o faturamento da rede porque ospreços estão maiores", afirmou ele. Algumas corretoras chegaram a tirar o Pão de Açúcar de suascarteiras de recomendações em junho, mas os analistas dizem queesse movimento será revertido. Um analista da área de varejo de uma corretora que preferiunão se identificar lembrou que no caso do Pão de Açúcar, aempresa tem outros aspectos que tornam sua perspectivapositiva, como a recente reestruturação pela qual passouvisando reduzir despesas. "(A alta de custos) pode até frear um pouco o crescimentodas vendas, mas de qualquer forma vai ser um ano bom para aempresa, que está mais enxuta", disse ele, lembrando que emboraas vendas possam cair em volume, o faturamento aumenta em razãodos maiores preços. A alta dos preços dos alimentos está concentrada em itensda cesta básica do brasileiro, como arroz, pão francês --querefletem um movimento internacional-- e carnes --que costumamsubir nesta época do ano. CRÉDITO O impacto do aumento do juro sobre o crédito econsequentemente sobre a demanda no varejo também deve serlimitado, apesar do Banco Central ter sugerido em sua últimaata, divulgada nesta quinta-feira, que o aperto continuaráneste ano. "Não deve ter efeito muito forte, até porque você tem apossibilidade de prazos alongados e para o brasileiro aprestação tem é que caber no salário, sem dar importância paraos juros embutidos nela", afirmou Álvaro Bandeira, diretor dacorretora Ágora. Nessa categoria entram desde empresas que financiam valoresde compra mais baixos, como Renner, até as que vendem produtosde maior valor agregado, como Saraiva, Lojas Americanas e B2W-- Companhia Global de Varejo. Esses itens de preço maiselevado, como eletrônicos, computadores e eletrodomésticos têmsuas parcelas suavizadas pela extensão dos prazos de pagamento. "A economia ainda está acelerando, apesar das altas dosjuros, então isso continua estimulando (a demanda)",acrescentou Bandeira. Além dos dados do Produto Interno Bruto (PIB) mostrandocrescimento, os números de emprego e de renda continuambastante positivos. No caso da B2W, existe ainda o estímulo de sinergiasdecorrentes da fusão Americanas.com e Submarino.com, quereduzirá custos, segundo os analistas. Além disso, alguns bens duráveis passam por uma mudançaestrutural no consumo brasileiro, lembrou o analista quepreferiu não se identificar. "As vendas de computadores, por exemplo, estão bastantefortes, porque a penetração de banda larga está crescente, edevem continuar fortes."

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