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Alta de alimentos no IPC-Fipe surpreende analistas

A aceleração mais forte que a esperada do grupo Alimentação entre a primeira e a segunda quadrissemana de março foi a grande surpresa no indicador que mede a taxa de inflação na cidade de São Paulo, como avaliam analistas consultados pelo AE Projeções. O comportamento da classe de despesa Transportes também chamou a atenção dos entrevistados ao apresentar aumento mais acentuado que o previsto.

MARIA REGINA SILVA, Agencia Estado

19 de março de 2014 | 12h08

A alta de 0,68% no Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) na segunda leitura do mês, contra 0,57% anteriormente, veio acima do teto das expectativas do mercado, de 0,67%. O piso das estimativas indicava inflação de 0,50% e a mediana era de 0,62%.

Segundo a Fipe, o grupo Alimentação acelerou a 1,41% na segunda pesquisa de março, depois de um aumento de 0,83%. A principal fonte de influência veio dos alimentos in natura, que subiram 10,77% ante 8,93%, e são os que mais estão sofrendo os efeitos da estiagem prolongada em várias partes do País. Os dados mostram que os produtos semielaborados também tiveram participação importante no avanço do grupo, ao diminuir a queda para 0,15%, depois de retração de 1,39%. Já a taxa dos industrializados ficou praticamente inalterada (de -0,24% para -0,27%) no período.

Para Wellington Ramos, analista da Austin Rating, o grupo Alimentação foi o principal responsável pela intensificação do IPC-Fipe, embora o resultado tenha ficado perto do previsto por ele. A expectativa era de variação de 0,67% no IPC e de 1,43% em Alimentação. O analista pondera que já esperava uma elevação dos preços, mas a magnitude da alta dos itens in natura o surpreendeu.

Segundo Ramos, a aceleração dos alimentos "certamente" foi afetada pelos problemas na Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais do Estado de São Paulo (Ceagesp) na sexta-feira (14). "Já prevíamos que viria com taxa elevada, mas os problemas no Ceagesp reduziram a oferta de alimentos. Imediatamente foram captados pela Fipe", avaliou.

Também para a equipe econômica da Tendências Consultoria Integrada, a aceleração do IPC entre a primeira e a segunda quadrissemana do mês foi motivada pelo aumento do grupo Alimentação, que refletiu as maiores pressões provenientes de produtos in natura e semielaborados. Entre os destaques de alta, a consultoria cita os aumentos mais intensos do tomate (41,27%), batata (31,76%), feijão (5,84%) e carnes bovinas (0,26%). Também menciona as quedas menos elevadas de aves, de baixa de 2,37% ante recuo de 4,72%, e de leites (-0,50% ante -2,09%).

Os analistas ouvidos pelo AE Projeções também ressaltam que a alta da classe de despesa de Transportes, de 0,81% (ante 0,67%) ajudou a impulsionar o IPC-Fipe da segunda quadrissemana de março. "O movimento do grupo Transportes também se destacou, influenciado pela aceleração de etanol (6,04%) e gasolina (1,49%), que captam o avanço da cana-de-açúcar em função dos problemas climáticos", avaliaram Silvio Campos Neto e Adriana Molinari na página on line da Tendências.

Perspectivas

Para o analista da Austin, o resultado de hoje do IPC coloca viés de elevação no índice da terceira leitura de março, para 0,71%. Segundo ele, o grupo Alimentação pode parar de subir na próxima pesquisa, mas ainda deve manter-se em nível elevado. Quanto ao conjunto de preços de Transportes, disse que este pode permanecer subindo. "Transportes avançam mais, enquanto Despesas Pessoais podem trazer alívio", acrescentou Ramos.

Também para os profissionais da Tendências Consultoria, a alta do IPC na segunda leitura do mês, que confirmou a maior pressão em Alimentação, impõe a necessidade de revisão da projeção do mês, atualmente em 0,50%. A expectativa dos economistas da consultoria é de que os gêneros alimentícios continuem a pressionar os IPCs ao longo de março, uma vez que o clima adverso deste início de ano ainda afeta os preços de diversos produtos no atacado.

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