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Alta de alimentos reflete fatores de oferta e demanda, diz BC

Segundo diretor do Banco Central, alteração do padrão alimentar na Ásia contibui para aumento de preços

Gustavo Freire e Fabio Graner, da Agência Estado,

27 de setembro de 2007 | 13h02

O diretor de Política Econômica do Banco Central, Mario Mesquita, afirmou nesta quinta-feira, 27, que existe um elevado grau de incerteza sobre o que vai acontecer com o preço dos alimentos. Segundo ele, esses preços sobem atualmente por fatores de oferta, que são circunstanciais, mas também de demanda, por conta da alteração no padrão alimentar das populações asiáticas.  Mesquita disse que os asiáticos têm demandado mais proteínas. Na sua avaliação, essa demanda adicional aparenta ter um caráter persistente ao longo do tempo já que não se espera uma reversão da trajetória de crescimento da China.  O diretor destacou também que não são só os alimentos que têm pesado na inflação. Tanto que recentemente o porcentual de itens com aumentos de preço no Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tem sido maior nos últimos tempos.  "Há uma difusão maior na alta dos preços. O processo de inflação está menos concentrado", disse. Ele destacou ainda a necessidade de o Banco Central ficar atento e antecipar os desenvolvimentos futuros da inflação, ao definir a política monetária. Apesar da maior difusão no índice de preços, Mesquita ponderou que a política monetária tem que levar em conta as diferenças entre as oscilações de preço dos produtos pois alguns têm maior volatilidade que outros. Por exemplo, os alimentos têm uma oscilação mais rápida de preços enquanto os serviços têm uma maior rigidez e levam mais tempo para serem reajustados.  O diretor do BC afirmou ainda que a atual turbulência no mercado financeiro tem tido impacto limitado na inflação do País e também sobre a atividade econômica que hoje está mais determinada pelo mercado interno.  Antecipação O diretor do BC afirmou também que, para ser mais eficiente, a política monetária do País tem de ser voltada para o futuro e agir de forma preventiva. Segundo ele, um exemplo de ação preventiva foi a atuação do banco central americano (Fed) em seu último encontro de política monetária, quando decidiu cortar a taxa básica de juros em 0,50 ponto porcentual, associado à flexibilização da taxa do redesconto (linha de empréstimos de emergência). Para ele, uma política monetária que atua de forma reativa, sem se antecipar aos problemas, adiciona volatilidade ao mercado e contribui para problemáticos ciclos econômicos de "stop and go" (anda e pára).  Mesquita destacou que os Bancos Centrais devem dar menor atenção à inflação corrente e se voltarem mais para o desenvolvimento futuro da inflação porque a política monetária opera com defasagem. Segundo ele, no Brasil, a defasagem está hoje na casa dos 9 meses, o que, na prática, houve uma elevação nessa defasagem, que antes era estimada de seis a nove meses. Vale lembrar que, nessa semana, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse que a defasagem variava de nove meses a um ano. Mesquita explicou que à medida que fatores como o desenvolvimento do mercado de crédito e maior estabilidade nas expectativas de inflação se consolidam na economia, a defasagem da política monetária tende a aumentar, como é um fato nos países desenvolvidos.  Ele afirmou ainda que a previsibilidade da política monetária aumentou e, ao mesmo tempo, o País tem experimentado uma progressiva redução das taxas reais de juros ex-ante, mesmo diante das turbulências internacionais. Mesquita admite, no entanto, que a queda do juro real pode estar relacionada a uma preocupação maior futura.

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