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Alta de juro nos EUA deve gerar valorização do dólar e movimento especulativo, diz Levy

Declaração consta no documento que o Brasil apresentará na plenária deste sábado, 18, do Comitê Monetário Financeiro Internacional, órgão que dá as diretrizes políticas para o FMI

Daniela Milanese, Altamiro Silva Junior, O Estado de S. Paulo

17 Abril 2015 | 19h31

WASHINGTON - O processo de normalização da política monetária nos Estados Unidos deve gerar uma nova onda de apreciação do dólar e aumentar o movimento de capital especulativo, na visão do Ministro da Fazenda, Joaquim Levy, conforme declaração que o Brasil apresentará na plenária deste sábado, 18, do Comitê Monetário Financeiro Internacional (IMFC, na sigla em inglês), órgão que dá as diretrizes políticas para o Fundo Monetário Internacional (FMI). Como de costume, o documento foi divulgado antecipadamente.

Levy colocará que a recuperação econômica dos Estados Unidos continua liderada pela expansão dos investimentos, produção industrial e aumento gradual do consumo. Esse ambiente permite um crescimento da economia norte-americana acima do potencial. Além disso, a inflação, excluindo o comportamento da energia, se aproxima da meta do Fed. "O cenário reforça a visão de uma possível reversão da política monetária seguida nos últimos anos", apontará o ministro.

Nos últimos 12 meses, o dólar teve alta real de 20% contra o euro, de 12,7% contra a libra e 17,5% contra o iene. "Se o atual nível da taxa real de câmbio for mantida, ou se o dólar se apreciar mais, a queda nas exportações líquidas pode eliminar uma importante parte do crescimento dos EUA nos próximos anos", dirá Levy.


Na avaliação da Fazenda, o processo de alta nos juros norte-americanos pode levar a um aumento dos movimentos de capital especulativo de curto prazo, com potencial efeito adverso sobre os emergentes. Além disso, a divergência de política monetária entre os Estados Unidos, de um lado, e a zona do euro e o Japão, do outro, pode ter um impacto significativo para os países em desenvolvimento.

Ajuste. Na declaração do Brasil na plenária deste sábado do IMFC, Levy afirma também que o País adotou um conjunto de medidas para restaurar o equilíbrio fiscal e preparar a economia para um novo ciclo de crescimento e investimento. O ministro afirma que o Brasil está comprometido com uma "reversão rápida" na situação fiscal em direção a indicadores de endividamento mais estáveis e "eventualmente declinantes". "O ano atual é um ano de transição para a economia brasileira", afirma Levy no documento.

"Estas políticas (adotadas este ano no Brasil) levam em conta um cenário de incerteza para a recuperação da economia global", destaca Levy na declaração, ressaltando também a necessidade de ajustes na política fiscal e retirar medidas contracíclicas adotadas para lidar com o fim do ciclo de alta dos preços das commodities.

"O equilíbrio fiscal é condição necessária para a retomada do crescimento, mas mais precisa ser feito", afirma Levy. O documento menciona ainda que a equipe econômica está trabalhando com o Congresso em uma "ampla agenda de mudanças estruturais" para melhorar o clima de negócios, aumentar a produtividade e estimular o investimento. A agenda de reformas, afirma Levy, têm como objetivo proteger os ganhos sociais da última década e reforçar a classe média.

Joaquim Levy também menciona no documento que, dada a diversidade da força de trabalho, o vigor do setor privado brasileiro e a solidez do sistema financeiro do país, a equipe econômica espera "uma realocação relativamente rápida de recursos e a recuperação do crescimento", impulsionada pelo crescimento das exportações, entre outros fatores

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O equilíbrio fiscal é condição necessária para a retomada do crescimento, diz Levy
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Crise. A economia mundial tem sido incapaz de dar sinais fortes de recuperação da crise nos últimos meses, o que traz a perspectiva de que prevaleça um "novo medíocre" cenário de crescimento, afirma Levy na declaração que o Brasil apresentará na plenária do IMFC.

Nesse período de transição para um ambiente de maior estabilidade, as autoridades monetárias deveriam prestar mais atenção aos recentes movimentos do petróleo, do câmbio e das taxas de juros, defende o ministro da Fazenda, Joaquim Levy. "Não está claro como a economia global vai se ajustar a essas mudanças e quem serão os perdedores e ganhadores desse cenário", conforme o documento divulgado há pouco, antecipadamente.

Para Levy, a mudança de modelo econômico da China é possível e faria bem ao mundo. O país asiático busca alterar sua fonte de crescimento das exportações e investimentos para o consumo.

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