Manuel Balce Ceneta/AP
Manuel Balce Ceneta/AP

Alta de juro nos EUA pode ser problema adicional para países emergentes

Segundo o Instituto Internacional de Finanças (IIF), formado pelos maiores bancos do mundo, alta dos juros dos Estados Unidos, que pode acontecer já nesta semana, deve exacerbar a fuga de capital externo de países emergentes

Altamiro Silva Junior, O Estado de S. Paulo

16 Setembro 2015 | 16h21

NOVA YORK - A alta dos juros dos Estados Unidos, que pode acontecer já nesta semana, deve exacerbar a fuga de capital externo de países emergentes e ser um fator adicional contra a melhora da atividade econômica destes países, que já têm sido afetados por fortes "ventos contrários", avalia o Instituto Internacional de Finanças (IIF), formado pelos maiores bancos do mundo, em um relatório divulgado nesta quarta-feira para discutir o que pode acontecer na reunião dos 17 dirigentes do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), que começou nesta quarta-feira e termina na quinta-feira (17).

A elevação dos juros dos EUA pelo Fed, que estão próximos de zero desde 2008 e não sobem desde 2006, desencadearia um aumento das taxas dos títulos do Tesouro norte-americano, o que atrairia capital externo para os EUA, avalia os economistas do IIF, Charles Collyns e Hung Tran em relatório. Além de os títulos dos EUA terem menor risco, os países emergentes, como Brasil, Rússia e China, estão enfrentando uma série de problemas domésticos que têm reduzido o crescimento econômico e preocupado investidores ao redor do mundo. Por isso, os economistas do IIF lembram que instituições como o Fundo Monetário Internacional (FMI) e o Banco Mundial têm pedido para o Fed adiar a alta de juros. A diretora-gerente do FMI, Christine Lagarde, avalia que o aumento deveria ficar para o começo de 2016.

O IIF ressalta que um dia antes do término da reunião do Fed, a incerteza ainda é grande sobre o que vai ser anunciado nesta quinta-feira (17), às 15h (de Brasília), quando será divulgado o comunicado final do encontro. O relatório ressalta que operadores de mercado estão dando probabilidade de apenas 30% de elevação dos juros agora, enquanto alguns economistas de bancos e corretoras veem chances maiores de alta.

Indicadores mistos da economia dos EUA e declarações conflituosas dos dirigentes do Fed têm contribuído para embaralhar as previsões sobre o que será decidido, destaca o IIF. Além disso, o cenário externo não está ajudando para facilitar a decisão, ressalta o relatório, mencionando o aumento das preocupações sobre os rumos da economia da China e de outros emergentes, fator que tem contribuído para elevar bastante a volatilidade dos mercados financeiros mundiais desde agosto.

"Por que o Fed não pode ser um pouco mais paciente, até o nervosismo do mercado diminuir, especialmente com a ausência de quaisquer sinais de alerta sobre a inflação?", perguntam Collyns e Tran no relatório. O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos EUA, divulgado nesta quarta-feira, mostrou inesperada queda da inflação em agosto, de 0,1%, a primeira no país desde janeiro. Com isso, os índices seguem bem abaixo da meta oficial do Fed.

Temporário Se os juros não forem elevados esta semana, o alívio para os emergentes será apenas temporário. Os economistas do IIF argumentam que a tendência da economia mundial é que se acentue a divergência das políticas monetárias dos Estados Unidos e do Reino Unido com a estratégia dos BCs de outros mercados, especialmente da Europa e Japão. Se a taxa não subir esta semana, será elevada no curto prazo.

Essa divergência aliada a taxas discrepantes de crescimento entre países avançados, alguns, como os EUA, mostrando maior recuperação, e os emergentes, com países importantes como Brasil e Rússia em recessão e a China em desaceleração, vai seguir gerando volatilidade no mercado financeiro internacional após o término da reunião na quinta-feira, afirmam os dois economistas.

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