Alta de juros ajuda a refrear a retomada da economia

Os juros dos empréstimos às pessoas físicas caíram de 6,25% ao mês, em média, em abril de 2012, para 5,40%, em março de 2013, mas aumentaram ligeiramente, para 5,43% ao mês, em abril, segundo a Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac). Para a maioria da população, habituada a avaliar se a prestação cabe no salário, a alta do juro - ainda que pequena - será um desestímulo no caso daquelas pessoas que não tiveram correção de vencimentos ou não têm folga no orçamento doméstico.

O Estado de S.Paulo

11 de maio de 2013 | 02h05

Nas linhas mais caras - cheque especial e rotativo do cartão de crédito -, entre março e abril houve leve diminuição (de 0,02 ponto porcentual) ou estabilidade, respectivamente. No entanto, como é temerário tomar tais linhas, isso só se explica numa emergência ou por desinformação, por clientes cuja situação financeira tende a ficar ainda mais apertada na hora de quitar o débito. Os juros do cartão são de 192% ao ano ou 9,37% ao mês - isto é, o juro por 30 dias equivale a uma vez e meia a inflação anual. No cheque especial, o juro é de 7,7% ao mês (143% ao ano).

Em março, o saldo total dessas duas linhas de empréstimo era de somente R$ 46 bilhões, equivalendo a 6,5% de todas as modalidades de crédito com recursos livres a pessoas físicas, no Brasil, da ordem de R$ 700 bilhões.

Os juros também aumentaram nas operações das financeiras, de crédito ao consumidor dos bancos e do crediário. Nos empréstimos pessoais, as taxas médias passaram de 2,91% para 2,94% ao mês e, nos financiamentos de automóveis, de 1,52% para 1,54% ao mês.

O aumento dos juros dos empréstimos se deve à elevação da taxa Selic de 7,25% ao ano para 7,5% ao ano, notou o coordenador de Estudos Econômicos da Anefac, Miguel José de Oliveira. O juro tende, portanto, a subir, com nova alta da Selic.

A alta dos juros ocorre quando ainda não foram colhidos os frutos do movimento inverso - e mais amplo - de redução de juros dos últimos 15 meses. Entre março de 2012 e março de 2013, o saldo de empréstimos com recursos livres às pessoas físicas subiu apenas 9,2%, de R$ 641,6 bilhões para R$ 700,9 bilhões.

Se o ritmo da economia não melhorar, as pessoas físicas continuarão temerosas de novas dívidas, pois a inflação exige mais recursos para cobrir o consumo essencial e quitar dívidas prioritárias, como as da compra da casa própria.

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