Alta de juros é mal necessário, diz Langoni

Enquanto perdurar a ameaça de explosão na demanda de bens duráveis, a alta dos juros é um mal necessário. Esta é a opinião do ex-presidente do Banco Central (BC) Carlos Langoni. Ele acha que o juro alto afetará principalmente o consumidor, uma vez que o empresário brasileiro, segundo acredita, já está acostumado a trabalhar com escassez de crédito. "O objetivo do BC, ao elevar a Selic, é fazer uma sintonia fina e desacelerar um pouco a expansão da demanda, principalmente de bens duráveis", frisou Langoni ontem, durante entrevista ao programa Conta Corrente, da "Globo News".Na sua avaliação, "não será isso que vai alterar a decisão de investimento do empresário". Carlos Langoni afirmou que a meta de inflação para o ano que vem ainda não é uma batalha perdida. Para evitar que isso aconteça, ele previu que o Banco Central vai continuar elevando a taxa de juros até que as expectativas inflacionárias sejam quebradas. "Os IGPs estão ainda num incômodo e desconfortável patamar de dois dígitos", alertou o ex-presidente do BC. Ele disse que essa situação perdura, principalmente por causa da necessidade de financiamento da dívida interna, o que acaba mantendo o juro real elevado. "A redução da taxa de juros real vai depender de nós completarmos esse grande esforço que é o ajuste fiscal." O ex-presidente do Banco Central pensa que a Petrobrás deveria elevar logo o preço dos derivados, para evitar complicações com o índice de inflação do próximo ano. "O mercado de petróleo é extremamente volátil, mas tudo indica que ele está se acomodando num patamar bem diferente daquele das projeções oficiais da Petrobrás", frisou Langoni. "O bom senso sugeriria que esse reajuste dos derivados deveria acontecer o mais rápido possível, para evitar uma contaminação da inflação de 2005, inclusive dando espaço para que o BC, no ano que vem, possa voltar a flexibilizar a política monetária", ponderou. O elevado déficit em conta corrente dos Estados Unidos é o grande perigo potencial para a economia mundial, preveniu Carlos Langoni. Ele acha que um déficit de 5,5% do PIB é muito elevado, mesmo se tratando da maior economia do mundo. "O grande risco é que haja uma queda livre do dólar." Ele afirmou que isso poderia ocorrer caso os grandes bancos centrais asiáticos, que estão financiando esse desequilíbrio fiscal e externo dos EUA, modifiquem o seu portfólio de investimentos. E finalizou visualizando um cenário pouco animador: "A contrapartida seria um aumento mais acentuado da taxa de juros americana, e a economia mundial mergulharia numa recessão, afetando todos os países emergentes."

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